Amor de mim, moira de mim

21/06/19

O amor impulsiona-me, o amor queima-me. O medo é só um portal, uma forma de ir além… de sofrer as dores do parto… acaso há alguma mãe que não tenha tido medo?

Somos mães de nós mesmos… prontos a parir-nos dentro. Estou cheia de partos dentro de mim… rebento-me em poros. Estou de volta à custa da dor, que me levou ao medo, que me levou ao amor… é impossível vencer o medo sem a poção mágica que é o amor… desço nos fios que me levam, me descem ao cerne de mim… quem dera poder ser quem eu Eu Sou… pode ser que Ele me ouça…

O medo toca-me… toca-me a melodia de mim… põe-me a tocar… lembra-me que já não sou onde eu quero estar… lembra-me de novas paragens, novos mundos, novos desafios também… ah… pudesse eu ser quem eu sou. Esse desafio de mim que me impulsiona, que me puxa para dentro para depois me tirar para fora… me abre e me faz das tripas coração… do fel o mar… do amor o medo… e do medo o amor também. Não sei se o medo é errado, tenho de viver com ele… passo por crises de identidade que não cessam “à pala dele”… vou de viagem, entro em comboios que não quero… musgo de mim… e dói, dói, dói… mas é no comboio que a viragem se dá, que o amor do novo pode acontecer… e novas estações, novas casas e, porque não, novos seres… talvez isto nunca acabe… talvez seja mesmo para nunca acabar… urge perguntar – há uma urgência dentro de mim de perguntar – se Ele deixou algo por acabar… creio que não. São só filtros. Está aqui tudo. O amor e a capacidade de vencer isto tudo… vencer sem armas… vencer é medo. Ceder talvez. Ser quem sou. Dói. Mas, por algum motivo, deve ter de doer… deixar doer… há certezas que imperam na dor, são elas que me agarram, que me fazem querer mudar o mundo, sem mudar nada, de facto… esquecê-lo, expurgá-lo de mim… dou atenção ao estável, que não muda dentro de mim… à minha capacidade de amar exponenciada, aos filhos que me nascem por dentro, ao amor… aos homens que me renascem… que me colam e me calam com um selo de Yin & Yang… tenho a sorte de ter conhecido o Amor da minha vida nesta vida. Tenho mesmo essa sorte. Isso acarreta medos, compromissos novos e, sobretudo, carapaças e ovos novos… cascas novas para romper. Serei sempre a Márcia sem nome… talvez a Márcia com outro nome. Ela é difícil… mas, por agora, continua a ser a minha heroína… a que  me faz sair de tudo com um sorriso na cara, com um olhar que expande, com uma subtileza de bebé. Fiz um bom trabalho este ano. Um muito bom trabalho. É verdade. E devo parabenizar-me por isso. Não que Ele precise, mas eu preciso de mim para estar viva. Foi um ano intenso… de muitas novas, de ser nova também… de ser mãe de 20 miúdos… de ser útero para novas realidades… setembro já chama… afinal “setembro é mesmo o começo do ano” (Clã, O Teu Artesanato). A vida dói como uma morada de rede à solta… regurgita e ressuscita de mim. Pudesse tudo ser como é o Renascimento. Mas renascer dói… tenho as pernas a crescer, os ossos a romper a pele… amo com ardor… pudesse tudo ser como é quando eu amo. Talvez seja… talvez precise da dor para ser como eu amo. Os metafísicos dizem que não… eu acho que sim. Há um lirismo qualquer que lhe habita… uma nota nova de perfume novo que eu ainda não consegui ouvir. Quem me dera poder ser como é Quando eu te amo. E capitalizo o “quando”, porque há algo de extraordinariamente novo desde que te amo, ou me recordei de que te amo… é que estás aqui, sempre estiveste… eu só não vi. Descubro novas realidades de mim, descubro o super herói… quem me dera poder ser tudo como é, quando amo.

Até sempre e até breve, 2018. Talvez só nos estejamos a despedir agora.

É a hora.

Valete, Fratres.

Querido Pessoa, ninguém me ensinou como tu as dores do parto… a dor de ser herói ao leme… pudesse ser tudo como é, quando é, a tua escrita… leve, breve… canto de ave a sonhar. Bebi em cada verso teu o elixir da sabedoria… pudesse eu saber como tu soubeste. Na verdade, não queria. Foste bastante amargurado, mas ensinaste-me a amar na amargura. Contaste-me a epopeia de mim. Obrigada.

Sou mais que eu aqui ao leme. Invertido, mas é assim que te ouço.

Até breve.

Aos meus alunos, ao amor por ti, Obrigada.

#ElasDoAvesso

#EntãoDeixaQueimar

 

 

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E, porque nunca é de mais relembrar o Mestre,

E disse no fim de tremer três vezes:

«Aqui ao leme sou mais do que eu:

Sou um Povo que quer o mar que é teu;

E mais que o mostrengo, que me a alma teme

E roda nas trevas do fim do mundo;

Manda a vontade, que me ata ao leme,

De El-Rei D. João Segundo!»

In O Mostrengo, Mensagem

 

«Pássaros na rua que voam

É para lá que eu vou

 

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