A estranha decisão de Ser Amor Connosco

29/07/19
“Quero-me de volta. É só isso que eu quero. A mim. De novo. A ser feliz. A rodar e a dançar. A ser eu livre e nua nas estradas. Como era eu agora e no princípio ou agora e sempre. Que importam as voltas do tempo? Quero-me a ser eu. São estes os meus votos para este novo ano, para esta nova vida que se inicia. Quero ser eu. Livre de handicaps. Livre da mente, livre do que eu acho que tenho de ser, livre das minhas imposições morais, que confundi com a verdade… livre de mim. Do little me. Livre.
Quero ser eu, nua e sambar pelas estradas,
Desavergonhada e sem sentimentos vis.
Ser eu. Ser livre. Oh… meu Deus que liberdade ser eu.
E deve ser tão fácil… posso deixar de ser eu agora? Não me parece.
Deus fez-me nascer com o antídoto. A escrita. Talvez por isso não possa viver dela. Não é para isso que ela serve. Não é para me dar pão. É para me dar sangue. Pôr o sangue a correr e daí, da Vida, vem tudo o resto. Não me importo com não viver da escrita. Na verdade, cansa-me andar atrás das editoras… convencê-las do que é óbvio para mim… que isto é incrivelmente bom e que elas não veem, porque só vêm números. E eu sei que somos um… e que é o meu lado sombra e lalalalalalalala….para que serviria o sol, se a sombra não existisse? Acaso precisaríamos do sol? Teríamos um mundo sem formas. Quem está preparado para desejar isso?
Na verdade, eu não me importo de não viver da escrita. Ou já vivo dela, de outra maneira. Importa-me enganar-me… seguir caminhos e trilhas que não são os meus… “tens de ir… é pela gestão emocional… é pela liderança”… eu vou se tiver de ir… mas não vou de coração cheio. Vou de coração, porque acredito no caminho. Se me perguntassem “O que queres ser quando fores grande?”… tenho 30 agora… está na altura de mo voltar a perguntar… seria como uma Lizzie da Jane Austen… em “O Orgulho e Preconceito”… não trabalhava… lia pelos cantos… escreveria… acrescentaria aqui a minha grande paixão… os adolescentes e todas as suas manias… todos os seus medos de que eu quero cuidar… encostar-me-ias às paredes e aos postes… desceria as costas… como uma lagarta que se diminui e morre, ou acha que vai morrer, para crescer… pegaria num livro e escreveria nas margens e nos espaços em branco… nas badanas… fundir-me-ia com o autor… seria eu… no meio encontraria o amor… seria nobre… grande como ele. Amaria forte, voraz… sem fugacidade. Ficaria para sempre. Melhorar-me-ia, desafiar-me-ia… e testaria o caráter… qual mr. Darcy… oh… e porque não? Porque não já? Porque não agora?
Ocorre-me porque não faço ou não corre tão bem com as visualizações criativas… talvez porque as faço aqui. A escrever. Não tenho medo delas. Quando escrevo, não tenho medo da vida. É, porventura, o único momento em que sorrio em cessar… escreva o tempo que escrever… e mesmo quando choro, rio… mesmo que seja um rio por dentro. Deus fez-me crescer com o remédio. Deus já me meu o remédio. “E que o veneno se torne medicina” (Ana Taboada). O veneno é dor, destilada em palavras e “assumos”…
E que eu possa renascer. Agora e sempre.
Am.
5/07/2019
«A dor tem o caminho, o doce caminho que é o meu, o itinerário de me levar de volta… a incumbência, o destino sagaz de me saber eu… sem a dor, dificilmente assumiria quem sou… diria ao que vim, ao que me apetece. A dor também lava. Lava o coração. Lava a humildade que não conhecia. O dizer “não”, não a ódios antigos e sem razão… pode o ódio ter razão? Libertar-me, dizer sim ao Amor… fazer-Lhe vénias e dizer-Lhe: Pode entrar. Seja bem-vindo ao Seu doce e eterno lar, Amor. Faça de mim o que quiser. Desculpe ter-Lhe impedido o caminho»”

 

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