Talvez isto tudo. Talvez nada. Talvez não possas ir sem tentar

Sobre as contradições do mundo… Pede-se um profissional que goste de trabalhar em equipa, mas ensina-se o aluno a ser o melhor. Pede-se um profissional que ame o que faz, mas ensina-se à base da campainha (aula orientada para o fim, o que o prepara para esperar pela hora do fim no trabalho) e do medo. Pede-se um ser humano sem preconceitos, mas ensina-se literatura de há 600 anos atrás, carregada de preconceito. Queremos que o estudante escreva bem, mas ele tem de aprender literatura medieval e modos de escrever que já não se usam.

Queremos que ele seja forte e não se vitimize, que trabalhe porque ama e não espere recompensas, mas ensinamos Camões como herói, mesmo que sempre a queixar-se de que não é reconhecido.

Deve ter pensamento crítico, mas idealmente cuspa no exame o manual.

Filosofia não serve para nada. Intuição é coisa de louco, mas, no fim, as melhores decisões, as que viram, de facto, a nossa vida do avesso, vêm dessa parte da mente, que, numa escola, instituição de ensino, todos fingem que não existe.

Pede-se uma sociedade não estratificada, mas dividem as turmas por grupos, funcionários da escola fardados e professores e administrativos vestidos com roupa normal.

Devem amar o próximo, mas idealmente que o teu próximo esteja abaixo de ti na pauta.

Pede-se que o profissional seja honrado, mas o aluno que dá mais atenção ao professor (no mundo do trabalho será o chefe) é beneficiado.

Os programas estão cada vez mais longos e eles saem de lá a saber cada vez menos.

Não vai ficar perfeito, mas até quando vamos fingir que está tudo bem?
Hoje ouvia que o trabalho de espiritualidade e desenvolvimento tem de ser mais profundo e feito com os mais velhos, mas talvez se os mais velhos tivessem aprendido na escola que somos um, que não há separação, que eles valem na mesma independentemente de tirarem 10 ou 20, que o 20 pode até tirar só 19 e ajudar o 10 com o pouco do seu tempo, investido no 20, para que o 10 tire 12… Que o 10 não é mau, porque não sabe e, com certeza, tem conhecimentos práticos que a escola nao deixa florescer.. Talvez, hombridade e estrutura moral que o fazem capaz de ensinar o 20 sobre humildade enquanto o 20 ensina o 10 sobre economia. Talvez, se os estudantes de economia aprenderem a nobre verdade de que somos Um, deixe de fazer sentido 10 empresas de Gillettes, para que as 10 se unam e façam a melhor Gillette do mundo. Talvez, percebam que, dessa forma, ganham muito mais dinheiro e muito menos consumições. Talvez, os antidepressivos deixem de ser tão vendidos… Talvez, os adolescentes possam poder passar por uma adolescência sem calmantes. Talvez.

Talvez seja utópico, mas, talvez, se não sonharmos o mundo acorde sem cor. Talvez, se Martin Luther King, Mandela, entre outros, achassem que a sua Visão era utópica, o sectarismo e o racismo fossem aceites. Os negros viajassem na parte de trás do autocarro e o Apartheid ainda existisse.

Talvez, a criança deixe de ir ao terapeuta. Talvez, o pai tenha mais tempo para o filho, afinal, as empresas ja não competem entre si, nem ele tem de ser o melhor, mas honrado, um ser humano que ama o seu trabalho e que não precisa de fazer mais nem melhor do que o do lado, meramente – e isto chega, porque é tudo – fazer com amor (mas ninguém faz com amor se está preocupado em ser o melhor, são metas diferentes, logo meios e resultados diferentes).

Talvez, a mulher não precise tanto do cabeleireiro nem da roupa nova, porque agora se sente amada sem corresponder a cânones, porque está alertada sobre a TV e a publicidade, talvez já saiba observar a mente e discernir o que é real. Talvez isto tudo. Talvez nada. Vale a pena tentar. Talvez tentar.

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Gosto de sonhos que não sei se vou cumprir

Gosto de sonhos que não sei como vou cumprir. Isso garante-me que não sou eu, que há algo maior do que eu a operar as coisas. Gosto de não saber. De não saber como vai ser. De não saber nada. De ser uma completa ignorante face à vida… do inato do respirar… porque não preciso de o saber. Talvez devesse ler mais os “meus” textos. Talvez as respostas estejam lá e eu não veja. Talvez isso tudo seja verdade e eu teime em desconfiar do que sinto para seguir o que vejo. Talvez o mundo seja dos loucos ou não seja de ninguém e tudo bem com isso. Gosto de não ter ambições, mas estar carregada de sonhos… ou só de um… um que eu não sei ver, não sei concretizar… é maior do que eu e não o posso iniciar a achar que o vou cumprir… posso, meramente, começar, acreditando que se for vontade de Deus, se cumpre ou se inicia… se não for, não se cumpre, sequer se chega a iniciar. Continue reading

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Meio e fim são o mesmo

Quando é que vamos perceber? GOD, quando? Vale para autoajuda, querer ficar rico, querer o casamento de sonho… É só mais um running the program. É trocar uma app desatualizada por outra, mas não deixa de ser uma app, isto é, algo estranho, algo não original ao software. Até quando?

A felicidade está em sermos quem somos sem pedir mais do que o agora à vida. Uma vez, li num livro “deseja muito, não queiras nada”… Não entendi.

O desejo é uma vontade dentro, independente do que eu quero para mim e para os outros. É uma vontade quase alheia. Quer eu estivesse neste ou noutro corpo, essa vontade mantinha-se, ela não é uma necessidade do corpo. É da alma. Mas, como qualquer coisa que é da alma, não quer nada para si e está completa mesmo se nada acontecer. Deixa-se estar, vive no agora, e flui como a água.

Quando queremos, separamo-nos do fluxo, querer é já apontar para o futuro e ele não existe. Solta, voa, deixar parar… Roda de novo.

Ninguém te pede nada além disto: que tu honres quem tu és e tu não és uma folha de salário, a queca bem dada, o distintivo ao peito. Solta, vai viver. Por favor.

P. S. : meio e fim são o mesmo. Isto é, se eu quero acabar com a sede (necessidade de beber), bebo. O meio é beber, o fim é beber.
Se eu quero levantar o braço, o meio é levantar o braço, o fim é levantar o braço. Certo? Se eu quero respirar, o meio é respirar, o fim é respirar.

Então, se queremos ser felizes, porquê que o meio, em vez de ser feliz, é ganhar dinheiro, ter uma casa, uma relação? O universo não falha e vai responder ao meio, porque o tempo é simultâneo (causa e efeito são o mesmo) . Então, se eu quero ser feliz (fim), o meio tem de ser felicidade.

Normalmente, trabalhamos imenso, acreditando que “depois” teremos o reward, a recompensa. Lamento. Se estás infeliz, cansado, a fazer (meio), o fim será exatamente esse. Então, como esperamos felicidade se o que andamos a fazer/viver no agora é exatamente o contrário?

Então:
Fim – Ser feliz / Meio – Ser feliz
Fim – ser rico / Meio – ser rico
Fim – ser sexy /Meio – ser sexy
Fim – ter umas calças bonitas / Meio- ter umas calças bonitas

Tudo bem com fins terrenos, só não vamos esperar omeletes sem ovos.

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A escola do “antigamente”- Se calhar, faz sentido deitar tudo abaixo

Uma coisa me chateia, quando me falam sobre os alunos de agora… Que não querem saber e lalala… A questão é… Nós queremos? Pergunto sempre aos meus pais como era a escola deles… A minha foi igual. A dos alunos de agora também. The truth is… Tenho 29 anos e eles já me dão uma coça a mexer no telemóvel. Há um que goza comigo, porque diz que pareço a mãe dele com o indicador no ecrã. Pois bem… Faz sentido continuar a ensinar como ensinamos? Se nós próprios não aguentamos muito tempo a olhar para um livro – não me venham com tangas, o professor também se cansa de ler -, que fará obrigar estas criaturas a passar o dia inteiro a olhar para um quadro branco (ok… O meu era de lousa). E não… O instrumento não é o pior. Não basta colocar tudo tecnológico… Há mais a fazer. Os conteúdos mantêm-se os mesmos, para além de não terem qualquer pingo de preocupação prática ou moral sobre como é que o aluno pode usar aquilo na vida. Na verdade, achamos mesmo que muita coisa que aprendem, ou a forma como é dada, é uma verdadeira perda de tempo.

Se calhar, menos conteúdo, mais qualidade e tempo na abordagem fazem sentido. Se calhar, ensinar português não é só saber de português, é ser ético e tornar o português útil para a vida do que está a a ser ensinado.

Se calhar, faz sentido ensinar falácias com base no discurso deles e nos desafios do dia a dia. Se calhar, faz sentido ensinar Gil Vicente repensando o papel do preconceito na formação social…. Se calhar, Platão falava muito mais de alma e intuição (que resolve o o problema do conhecimento e, sim, resolve Gettier) do que da alegoria da caverna. Sei lá…

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Eu queria uma escola amarela

Uma causa grande é aquela em que o teu benefício só acontece por fazeres algo que ajude os outros, deixares algo que traz benefício aos outros, sem tu mesmo te beneficiares com isso… Nem a realização de os veres felizes, é um fazer desapegado. A alma pede que faças e no ato de o fazer, sonhar, a realização ocorre. Com ou sem resultados. O foco é deixar o mundo melhor para os outros sem que ganhes nada com isso. Continue reading

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Menos formados, mais Informados. Por mim, eu vou sair do molde

A dúvida é um direito. Viver não se trata de acumular certezas, mas de nos “protegermos” das certezas. Certezas viram sectarismo e preconceito. A dúvida gera medo no corpo, espicaça a alma, deixa-nos a nu, capazes de perguntar “e se?”.

Quando o “e se?” não for direito, a morte chegou. O homem tornou-se sábio que deu lugar à ignorância, pois sábio é aquele que sabe que não sabe e lida bem com isso.

Esta é era a da incerteza e, por isso, é também a da oportunidade… Das perguntas. É a era que nos permite sermos crianças por mais tempo, até ao fim da vida. E se? Continue reading

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“A Terra é uma Mulher e o meu Útero, o Universo”

(Está na hora de “a gente com jeito reconciliar”)

Céu e Terra, masculino e feminino. Separar não é direito. Se o caminho é unidade, os opostos devem unir-se. Se a própria Terra não aniquilou nenhum, quem sou eu para dizer que é errado o feminino e o masculino, a unidade dos opostos que geram, os ciclos do corpo? Quem? Sonho ou não, há uma ordem que gere. O desejo foi de separar mas o sonho é de unidade. Aparentemente, pode haver separação, mas no éter está unido. Se a própria Terra gerou ciclos, e eles meramente te representam episódios de uma realidade que acontece a todo o momento fora do tempo – unidade e criação -, quem sou eu para aceitar suprimir uma parte de mim com o objetivo de me tornar Iluminada? Continue reading

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Ser livre

Quisemos todos sair do condicionalismo, mas continuamos todos a querer ser ricos… Afinal, o que mudou com o autoconhecimento? So o lugar onde você queria ser rico. Antes era numa empresa a ser escravo, agora é sem empresa, a ser escravo de si mesmo. É isso a vida? Troque o ser rico por ser amado, por ter uma relacao, pelo que quiser… É isso ser livre? Ser livre é ser livre de querer. É so isso que o ser humano nao tenta. Arrisca-se a ficar sem ego, a nao saber quem é… Isso é muito doloroso.

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Voa. Voa livre.

Voa, voa livre. Tira os sapatos, sente a relva. Desata os nós.

Be Who you are, because an original is always better than a copy <3 descobre quem és além dos condicionamentos, além das máscaras e até, e sobretudo, além dos sonhos e dos desejos, do “quem és” na máscara, além da autoajuda… Está tudo bem em tornares o teu eu, ego, funcional, mas não fiques por aí. Chegou a hora de Seres Quem és e garanto-te que quem és não quer saber de quanto tu ganhas, de quantos parceiros tiveste, se estás a atingir a vida amorosa de sonho do teu ego e do subconsciente. Uma coisa descobri no meio disto… Vai além do subconsciente… Das crenças, do ego… Afinal de contas, só estás a criar um ego mais afável, não necessariamente mais amoroso… Afinal, é o teu ego que ganha, no fim, por trabalhares crenças limitantes… Ganha mais, tem mais sexo, tem outras relações… Continue reading

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