Pode ser

(Os textos deixam de ser nossos quando estão ultrapassados. Quando a lição versada está apreendida. Quando fazem chorar sem dor. Quando fazem chorar, porque Mostram).

Canto a dor

A dor de não ser eu

E de me retirar do mundo

A dor de doer

E de fazer drama do mundo

A dor

Pode ser que saia assim

Na máquina de lavar da poesia

Da roda lavada da poesia

Pode ser que passe

Pode ser que esprema

Até não sair mais nada

Só amor

Só amor destilado

Na dor

Ele sai curado

Sai sempre

Pudesse ser tudo como é

Quando escrevo poesia

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10/08/2019

Uma coisa me inspira e me faz acreditar em mim

O que eu escrevo

Pode não dar em nada

Ninguém ler

Quero lá saber dos poetas que são lidos

Quando olho o que escrevo

Vejo que algo bate em mim

Algo existe em mim de maior

Que se importa

Que me dá coisas e frutos

Que abana os frutos da minha árvore

Me trucida, me mata, me leva e me traz de volta

Há qualquer coisa em mim de luz

Que é verdadeira

Que pode tudo

Até dizer dor bonita

Mas sem vaidade

Há algo de extraordinariamente belo em mim

E isso eu só vejo na poesia

É certo que quando falo ou escrevo, isso também acontece

Mas é só na poesia que eu não tenho dúvidas

De que eu sou real

Que algo me anima

E que esse Algo é grande

É grande para Caralho

 

Sorrio em mim, para mim, ao ler o que escrevo

Não há nada mais bonito que isso

(eu sei que falta um do que… mas fica feio, deixem-me lá ser poeta em paz)

 

#Elas realmente do #Avesso

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Hoje é o dia da minha vida

6/8/2019

E amo a roupa na corda

A Beyoncé a cantar

E tudo o que me disseram que era errado e não servia

Amo estar viva

E Deus-Cosmos-Universo faça que eu me lembre

Maybe is today

Today is my birthday

Da mesma forma que inventei o dia da minha morte

Posso e decreto o dia da minha vida

Como hoje

Pode ser hoje

Hoje e para sempre

Mas que hoje me baste

 

Talvez eu esteja viva

E talvez eu faça sentido aqui

Do talvez à certeza

Será amor

Só amor

O caminho do amor

#TotheLeft

 

E danço na cozinha

Desfaço-me mais um bocadinho

Sou eu

Eu de volta

 

E os gatos são plateia

E o robe o meu vestido

Quem disse que a crianca-mulher morreu?

 

Estou atenta aos ossos da minha coluna

(E até os ossos se endireitam)

Estou atenta quando até o meu corpo fala e diz SIM

Diz sim ao casamento comigo mesma

Diz sim

#DizSim

 

Márcia Aires Augusto, modo #ViolinoNoCorpo

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O olhar do poeta

O olhar do poeta é o de ver o que mais ninguém vê

O olhar de poeta

É o de ver o perdão

Onde só existia um homem

A boca num cigarro

E um retângulo amarelo

O olhar do poeta

É o de dizer o invisível

É brincar com os pés

Sorrir com a ponta da sapatilha a dobrar

Brincar com as palavras, perdoar a mente

 

O olhar do poeta é o de ver as cores

Que mais ninguém vê

Dizer as cores do céu

O cinzento que não se pode

O azul indizível

O olhar do poeta

É o do Amor

O de perdoar a Verdade

Trazê-la para mais perto

Mesmo que numa folha

De contrato de ginásio

O olhar do poeta é o de deixar de ser o mundo

A sê-lo

O olhar do poeta

É o de ser Amor

É o de descobrir um pôr do sol atrás da casa

O que mais ninguém viu

É o lugar de se deslumbrar

É o direito a se deslumbrar

Captar com palavras

O que mais ninguém viu

«O olhar do poeta é um lugar

«O lugar do poeta

 

No lançamento do livro "Elas do Avesso"

No lançamento do livro “Elas do Avesso”

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