Sarabande em Dó

Dor de mim (…) que me corrói.

O que importa que me olhem? Talvez importe o momento em que me doem a Sarabande, Handel e tudo o que já não é verdade.

Tenho saudades de mim, íssima, íssima saudade, em intertextualidade perdoada com Pessoa. Solidão de mim, quando já só importa Ser. Só eu. E eu não digo. Não sei dizer Amor… e onde está a riqueza do mundo? A verdade cósmica que me dói?… que me adia… me manda para as mesas dos restaurantes, mas sozinha… e eu… profundamente eu comigo. As extraordinárias perguntas que se repetem chegam sempre a este chão agora… onde me engulo… onde sei que só a Verdade me pode salvar. Onde estou? De onde vim? Por que sou? Porquê eu? Porquê aqui? Morro-me aos poucos, sempre mais um bocadinho. Morro para compreender. Quem sou? Por que sou? Doem-me as certezas e tudo o que já não é. Continue reading

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2017, acabaste-me Veneza e o Carnaval Todo

É a primeira vez que me sento para me dar conta; que paro, de taça apontada, como se de uma espada se tratasse, ou troféu de alma – mas ela não precisa disso. Pouso a espada, olho em volta …  e paro. Parar é olhar.

Olho para tudo o que me aconteceu… o meu livro, que é o livro do Universo todo, que o meu nome, desta vez, assina. E eu já não acho honra vã, nem condeno – aquele ato humano, mau, formidavelmente mau de julgar a criação manifestada -, nem lisonja sem merecimento. A verdade é que eu mereço para C. Tudo. Tudo de bom que É e tudo de bom que há por vir. Eu mereço. Fiz muitas escolhas despedidas de um eu, comprometidas com o Todo, se isso não for algo próximo do Amor à Humanidade, eu não sei o que é. É uma escolha que já não sucumbe a medos, mesmo que eles lá estejam… que já não seleciona o confortável como opção. Não há conforto na Verdade. A Verdade não serve para ser confortável, nem quer saber disso para nada. A Verdade não precisa de sofás. Precisa de mim e de nós todos, empenhados a Ser. Continue reading

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Drama da Palavra ou Drama de Um Corpo

Se tivesse que falar do amor, falaria do amor do Universo por mim… da benevolência que Ele tem em relação a mim… porque Ele sabe quem eu sou e espera. Aceita-me onde eu estou. Não há amor maior que este… sei que me falta cumprir-me, mesmo que eu já seja completa… mas falta-me cumprir a minha completeza na matéria… talvez não precise e seja meta física, mas há algo que ainda me trava… há algo muito grande em mim, algo a que o ego resiste… há névoa que pede costura nas minhas palavras, no que eu digo… sei que há algo maior para dizer, sei que as palavras podem mais, que a expressão perfeita mora em mim, mas há muito barulho depois da palavra… é por isso que não me sento para escrever… escrevo para me sentar, que é ouvir melhor. O ato de escrever, que é ouvir, é primário.
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Sobre “Adeus” de António Lobo Antunes

Hoje, arrastei-me para a secretária para dar uma aula de heteronímia pessoana, mas o tempo atropelou-nos e, antes disso, resolvemos um exame (2013) onde figura esta obra-prima, assinada por António Lobo Antunes… li-o antes da aluna chegar, como que num augúrio qualquer de que ia chorar… no entrelaçado das frases, algo me ia levar para o profundo mistério onírico que é estar vivo. Continue reading

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Mortos são Mortos – Panteão #InTheSummit

Márcia Augusto, ensaiada de Filosofia, Poesia e Literatura, mas livre... sobretudo isso de ser livre

Márcia Aires Augusto,

Bom, não contava vir aqui escrever hoje… na verdade, ando um tanto desaparecida do blogue, mas, para quem acompanha, ando bem ativa no #Facebook, no #Youtube e no #Instagram. Quem não muda ganha raízes e eu gosto pouco de me agarrar ao chão, como sabem.

Ainda assim, como se percebe, vim aqui… em jeito de resposta ao desafio da minha mãe que me pediu para escrever sobre isso das almas magoadas do Panteão Nacional… Ora, façam-me um favor… Magoados estariam eles se viessem ver obras de governação e resquícios de império morto.

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O amor não é bicondicional

Este é um excerto que acabo de escrever para a obra “Ensaio Sobre A Má Educação”. A parte integral do que foi até agora partilhado pode ser lida aqui, bem como no separador “Ensaios e Livros“, onde vou passar a disponibilizar mais livros que até agora não havia revelado.

Falando agora sobre o Amor, o amor dos humanos não é o amor do Amor, a ideia primordial do que é o Amor, enquanto força criadora. Podemos fazer equivaler Amor à Mente, mas, quando falamos de Amor entre duas pessoas, falamos da Mente a ser partilhada de um modo mais efetivo, quer dizer, a sentirmos que está algo transcendente, algo extrassensorial e extracompreensão a ser partilhado. Bom, mas não é isto que acontece entre os seres humanos… porque este Amor, esta Mente, é incondicional… é impossível de ser condicionado, permeável a condições. Continue reading

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Perdão, Vergílio e Barbies na Descrição

Toda a gente sabe que eu deixei de brincar com barbies bastante cedo e houve momentos em que achei que eram deformadas, por causa dos joelhos e das mamas que fazem lembrar piões de brincar no cimento. Durante 26 anos, tentei esconder quem era e fingir que pensava como os outros. Depois, e de cada vez que me descubro, me ponho ao léu mesmo, percebo que toda a gente pensa bem perto de mim, afinal. Só não mostra. Porque valem mais o “Like” e a sombra do que a leveza de quem São. 

Agora o vídeo.

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Uma Borboleta Quer Dizer Metamorfose

Hoje, terminámo-nos. Não mais do que isto. Meia dúzia de frases bastarão… ou, porque nada irá chegar, fico-me pela meia dúzia.

Amanhã termino a borboleta que comecei, quando te conheci. Durámos o tempo de uma borboleta. E foi bom. Lembro-me de me dizeres que não querias que eu fosse efémera como uma borboleta… acho que o Universo te fez a vontade ou, no fundo, tu já sabias que eu me ia, quando ela acabasse. Continue reading

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