Uma ópera e Deus por perto

Quanto mais te aproximas de Deus (de ti), mais te aproximas do Belo. Faculdade de gosto de Kant (acho que Kant é bem mais objetivista do que o dizem. É preciso perceber que Kant admite que sejas subjetivista antes de chegares à Verdade que é una, objetiva e sem polos. Eu não sigo manuais, eu sigo a intuição pura). Continue reading

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Gosto dos homens rudes e depois?

11/06

Às vezes, esta também sou eu, ou melhor, sou eu sempre, a de sempre, a que escreve em papéis desemaranhados, sem ordem, sem clave que os salve. A apostar que estes papéis vão parar (paro para observar a música e a jasmim… a música também se observa, quando um Nocturno de Chopin começa; a gente não sabe, nós não sabemos como o mundo é belo, como a vida é boa… como pode ser) vão para o lixo, antes mesmo de serem transcritos… egoísta? Egoísta é quem escreve para outros lerem… a não ser que escreva porque o que escreve irá ajudar os outros (mas ninguém pode começar a escrever para ajudar os outros, se o fizer, serve o útil, isso parte a arte em dois e a Arte é de Deus, não se pode partir… surge, porque tem de surgir… Deus não é útil. Deus é. Assim são as extensões Dele), será egoísta… separado por ego, desânimo inventado num papel que o salve. Não sou assim. Não quero ser. O que escrevo é meu, só meu, inviolável, inquebrantável. E sei que me contradigo… como posso querer ser escritora, se não quero partilhar?… não é isso. Ao papel reservo o poder e o direito de ser meu, meu e de Deus, antes mesmo de qualquer luz, conjetura de ribalta… Continue reading

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Funde-me

(In Inevitavelmente Poesia)

Funde-me

Escancara-me

Bate-me com força.

Meio entra.

Entra agora.

E sai, sem saíres de facto.

Num despertar de borboleta

Eu sou

Já me vou

Deixo-te as escamas

Sereia encantada

Do que nunca fui

Lençol emaranhado

Unhas nas cortinas

Sol que nasce

E agora eu sou

 

Rasga-me a pele

Conhece-me a chama

O mau odor

O fel e o peito a pulsar

A pureza dos olhos

E o cabelo na tua boca

Sejas.

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Monólogos

Sobre  o novo projeto-livro «Monólogos» do #ElasDoAvesso.

«Monólogos» começa no mar, ou talvez nunca tenha começado, porque nunca acabou e sempre foi a forma de eu me expressar… mas tendia a torná-los textos… para as pessoas acharem mais normal, de um nervoso e angustiante fit needing, que eu não quero mais… não quero mais caber, porque a minha missão é precisamente não caber, ficar fora dos lugares, ficar de fora… preciso disso para ser. Ser quem eu Sou. Fora das estruturas. É aí que eu ganho força. Acho que durante 28 anos quis caber. Mesmo quando eu deixei o Marketing, as empresas e as secretárias… eu queria caber, queria ser aceite… hoje, eu não quero mais. Hoje, quero a coisa mais absoluta que eu posso querer… Ser eu. Mais do que isso é capricho. E eu estou farta de caprichos. «Monólogos» não tem pontuação ou subverte-a, também não tem quebra de linha certa… Monólogos é como a Voz fala. E, agora que a encontrei de novo, eu não a posso deixar ir embora, ou simplesmente camuflá-la para ficar bem. Estou farta de ficar bem, de parecer bem. Continue reading

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Monólogos II

De uma nova série, chamada “Monólogos”. Este é o segundo, mas foi o primeiro que quis transcrever e começa assim:

Recupero a menina de antes

Antes de o mundo me ter partido

Ou antes de eu me ter deixado partir

Navalhar por dentro

Sempre serei, sempre fui, sempre vou ser

A menina que não queria ser nada

Mas que era tudo

A menina que ouvia música a ouvir o mar

Que se recuperava no mar e na areia Continue reading

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