Sarabande em Dó

Dor de mim (…) que me corrói.

O que importa que me olhem? Talvez importe o momento em que me doem a Sarabande, Handel e tudo o que já não é verdade.

Tenho saudades de mim, íssima, íssima saudade, em intertextualidade perdoada com Pessoa. Solidão de mim, quando já só importa Ser. Só eu. E eu não digo. Não sei dizer Amor… e onde está a riqueza do mundo? A verdade cósmica que me dói?… que me adia… me manda para as mesas dos restaurantes, mas sozinha… e eu… profundamente eu comigo. As extraordinárias perguntas que se repetem chegam sempre a este chão agora… onde me engulo… onde sei que só a Verdade me pode salvar. Onde estou? De onde vim? Por que sou? Porquê eu? Porquê aqui? Morro-me aos poucos, sempre mais um bocadinho. Morro para compreender. Quem sou? Por que sou? Doem-me as certezas e tudo o que já não é. Continue reading

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Sobre “Adeus” de António Lobo Antunes

Hoje, arrastei-me para a secretária para dar uma aula de heteronímia pessoana, mas o tempo atropelou-nos e, antes disso, resolvemos um exame (2013) onde figura esta obra-prima, assinada por António Lobo Antunes… li-o antes da aluna chegar, como que num augúrio qualquer de que ia chorar… no entrelaçado das frases, algo me ia levar para o profundo mistério onírico que é estar vivo. Continue reading

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Uma Borboleta Quer Dizer Metamorfose

Hoje, terminámo-nos. Não mais do que isto. Meia dúzia de frases bastarão… ou, porque nada irá chegar, fico-me pela meia dúzia.

Amanhã termino a borboleta que comecei, quando te conheci. Durámos o tempo de uma borboleta. E foi bom. Lembro-me de me dizeres que não querias que eu fosse efémera como uma borboleta… acho que o Universo te fez a vontade ou, no fundo, tu já sabias que eu me ia, quando ela acabasse. Continue reading

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Anti-parnaso na Cidade

A cidade dói ao entrar… as luzes confundem-se, atropelam-se, fintam-se e fazem-se mal… na cidade tudo cheira a doença, a cinzento… e a gasolina rasga no ar… na cidade, as pessoas vestem-se diferente… simulam a alma, as dores dela e de tudo o que lhes dói… na cidade há quimonos pretos por cima de rendas vermelhas, roupa metálica em pregas pesadas, paralelepípedos abnegados…

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Do Corpo paralelepipédico e do sexo nas Pick Up

Hoje, eu estava a folhear uma revista dessas novas, ou velhas, sem ponta de humanidade por que se lhe pegue e, por isso, os humanos gostam… gostam, porque gostam de tudo o que os desumaniza, de tudo o que os faz esquecerem-se de quem são, de tudo o que os pinta de uma maneira diferente da que são… de tudo o que os simula, os cola a chumbo colorido de dor e de braços desenhados a barro… gostam, porque os humanos não gostam de quem são… e, por isso, porque para além de não saberem quem são, não são quem são – como podem gostar de quem são e sê-lo, se não sabem quem são, se têm medo de serem quem são? E isso nota-se muito bem no corpo…

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Carta de Dor de Uma Menina de 14 Anos

Márcia Augusto

 Este texto não está publicado integralmente, nem poderia… um dia, talvez, ele veja a luz das livrarias num livro… por enquanto, ele é meu. Mas porque eu já não sei ser só minha e porque também publicar me cura, fica aqui um excerto muito breve de um total de 3103 palavras.  E começa assim:

Não sei ser livre… sou demasiado cuidadosa, demasiado preocupada com a opinião dos outros para ser livre… estou demasiado ocupada com aquilo que os outros vão pensar sobre mim… e magoo-me. Sujo-me na terra onde nem sequer me permiti rebolar-me. Continue reading

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A Criança Nova é mais do que Deus e do que os Filósofos todos

O tema desta próxima quinta-feira na Barca FM Rádio é a Criança Nova de Caeiro… mas é a nossa também…

Na próxima quinta-feira, inicio-me e arrisco-me… Falo da criança interior e sobre quão surdos andamos em relação a ela… decreto-a mais do que Deus e do que os filósofos todos e digo assim: “Não há de ser ela mais verdadeira/Que tudo quanto os filósofos pensam/ E tudo quanto as religiões ensinam?”

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Beleza In Vitro

M. Augusto, Autora

Este texto não é bonito nem é sobre literatura… mas é um texto necessário. A mim e à humanidade toda.

Eu já ando para escrever há algum tempo sobre isto… mas sinto-me bloqueada ou sinto que nunca é o momento. Curiosamente, quando decidi que era agora, apareceu-me um vídeo da Alexandra Solnado a dizer que é Agora.

Hoje, eu estava no ginásio e o J.O. disse-me que eu tinha de trabalhar mais os braços… bom, calma, não foi bem assim…

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