Anti-parnaso na Cidade

A cidade dói ao entrar… as luzes confundem-se, atropelam-se, fintam-se e fazem-se mal… na cidade tudo cheira a doença, a cinzento… e a gasolina rasga no ar… na cidade, as pessoas vestem-se diferente… simulam a alma, as dores dela e de tudo o que lhes dói… na cidade há quimonos pretos por cima de rendas vermelhas, roupa metálica em pregas pesadas, paralelepípedos abnegados…

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Do Corpo paralelepipédico e do sexo nas Pick Up

Hoje, eu estava a folhear uma revista dessas novas, ou velhas, sem ponta de humanidade por que se lhe pegue e, por isso, os humanos gostam… gostam, porque gostam de tudo o que os desumaniza, de tudo o que os faz esquecerem-se de quem são, de tudo o que os pinta de uma maneira diferente da que são… de tudo o que os simula, os cola a chumbo colorido de dor e de braços desenhados a barro… gostam, porque os humanos não gostam de quem são… e, por isso, porque para além de não saberem quem são, não são quem são – como podem gostar de quem são e sê-lo, se não sabem quem são, se têm medo de serem quem são? E isso nota-se muito bem no corpo…

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Beleza In Vitro

M. Augusto, Autora

Este texto não é bonito nem é sobre literatura… mas é um texto necessário. A mim e à humanidade toda.

Eu já ando para escrever há algum tempo sobre isto… mas sinto-me bloqueada ou sinto que nunca é o momento. Curiosamente, quando decidi que era agora, apareceu-me um vídeo da Alexandra Solnado a dizer que é Agora.

Hoje, eu estava no ginásio e o J.O. disse-me que eu tinha de trabalhar mais os braços… bom, calma, não foi bem assim…

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Do que nos salva

(…)

Enquanto o círculo não fechar, vai sempre falhar alguma coisa… faltamos nós, este monumento-carne  de amor que nós somos… gosto, quando recebo mensagens de gratidão pelo livro, pelos vídeos, pelo meu trabalho… gosto de saber que ajudo pessoas… gosto de amar… quem não gosta? Gosto de sentir como sou invencível, como nada me pode fazer mal, quando amo… Continue reading

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Nunca nada me magoou tanto como escrever

Nunca nada me magoou tanto como escrever… e nunca nada eu amei tanto como escrever. Uma vez eu ouvi “vais saber que amas, quanto mais vezes perdoares”… e acho que é isso… por muito que escrever me magoe, entregar isto, esperar, sonhar com fios e pavios de nada… sei que é isso… porque, por muito que me magoe, eu escrevo sempre… eu preciso de escrever… com ou sem aplausos, com ou sem sucesso, com ou sem ouvidos, brutos, sensíveis ou ensurdecidos… o que for, eu preciso de vir aqui, na escrita, resolver a dor do mundo… perdoar-lhe as coroas de sangue que me dá, ou eu me dou…

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Da sabedoria alcalina

Gosto de descobrir que estava errada… gosto de respirar por baixo das superfícies… ir ao fundo… ver as paredes e os fundos enlameados… gosto de já não ter medo de olhar e ver… de já não ter tanto medo, pelo menos… gosto de ser quem eu sou… mesmo, e sobretudo, quando isso assusta, repele, causa estranheza… gosto de despedir o boneco… Continue reading

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