A única tarefa do mundo

Às vezes, eu só quero ser eu a ser… livre… andar no mesmo ritmo que o coração me pede… devagar… ouvir os pássaros a ser… ouvir a vida a ser livre.

Gosto de atravessar a rua para ver as borboletas… gosto de as sentir nos dedos… gosto dos pássaros nos meus ouvidos… gosto de como o meu coração desacelera… acorda com a Terra… de como o meu olhar turva, só porque eu quero, escolho ouvir…

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Borboleta em Contorção

És um homem otimista… tens fé em mim… isso é bom (estou armada em eufemista e cheia de medo, deve ser isso).

E nada desta conversa simularia gravidade, não fosse a esterilidade deste visor e tudo o que ilusoriamente nos separa… quando te vejo, derreto-me nos teus olhos e tudo o que eu digo é Verdade… sem isto… sem este medo, este terror de perder. Continue reading

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Cartas de Amor a J. e ao mundo que está a Ser I (Ou Diálogos Essenciais entre M. e J.)

Paro deslumbrada, enquanto te escrevo… A sentir o que sinto… pleonasmo necessário de quem quer ir ao Princípio de tudo o que tu és, que nós podemos ser.

O “pica” do autocarro sorriu-me como Quem é cúmplice disto tudo… como Quem faz parte deste Todo… um amor nos olhos que me dá, enquanto me sorri… que não sabe que me está a dar… não sabe que é capaz de dar. Continue reading

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Cartas de Amor a J. II

Só te posso dizer obrigada… Pela evidência ácida de que somos feitos de perdão… De amor absoluto e incondicional.

A invencibilidade de que te falava, pude aceder-lhe hoje… essa certeza de que nada nos pode fazer mal… A certeza de que estou a salvo de tudo… A certeza de que há uma pureza celestial em mim… A certeza de q só tenho de escolher de novo… Outra vez. Amar. Perdoar. Perdoar me a mim… Continue reading

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Eu de mim a mim mesma

Deslumbrei-me…. os olhos tomaram-me os meus olhos… meus, mas não eram meus… ou quem eu sempre fui, mas tive medo… ou fiquei petrificada…  sem me mover durante uns cinco ou sete minutos… tomada pela Verdade… pelo o susto bruto de mim… pelo baque de mim, de quem eu Sou a mim mesma. 7

Os olhos ganharam uma luz própria… assustadora, porque veraz… não havia corpo (nem tempo)… só os olhos; o corpo suportava a luz, a mensagem dos olhos.

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Cartas de Amor a J. I

É qualquer coisa de inevitável… isto… esta vontade de me dar, de me doar… de dar o que eu faço… sento-me para meditar e não consigo… estalam-me os ossos, como se não fosse suposto parar agora… preciso de vir aqui.

(…)

Também não sei o que foi aquilo… Mas acho, sei que estou no meu caminho… Como tu estás no teu. Não sei o que é. Mas sei que é certo.

Foi um encadeamento transcendente de coisas… e, mais uma vez… Não sei o que é, mas sei que foi verdade. Tudo aquilo foi demasiado real. Demasiado evidente… Claro, necessário – de necessidade cósmica, o que tem de ser. Continue reading

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Devo Ser Tanto

Agora faço as coisas como me apetece… não estudo porque tenho de estudar… não leio porque tenho de ler… porque é suposto…

Sou mais livre… troco Kant por Pessoa, mesmo que amanhã tenha exame…ou deixo tudo e medito, sentada no mundo… ou vou escrever… ou troco isso tudo pelo deslumbramento próprio a ouvir poemas no Youtube… enquanto penso nele, o invento… e depois?

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Dar

Devemos sempre amar.

Devemos sempre partilhar o que é nosso (porque nada é, de facto, nosso), o que nos deram para partilhar.

É impossível dar sem que se inicie uma cadeia de dádiva. Impossível. É impossível amar sem ser amado de volta (amar desinteressadamente, o único Amor possível). O universo funciona numa circularidade ressonante perfeita. Continue reading

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Que Deus me livre

Não me posso comprometer com ninguém, não consigo, não posso, não tenho como. Mas, sobretudo, não quero.

Não posso comprometer-me com uma causa particular, específica, que me aparta, que me separa, que me priva. Não posso. Eu sou comprometida, sou noiva, sou mulher prometida do Todo, do Uno qualquer que é tudo, que me envolve, que me abraça, que dá colo… 
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É difícil amar

É difícil amar quando o mundo é isto… deve ser isso que tenho para aprender hoje… que é difícil… está um barulho infernal, num eco de catacumba…
É difícil amar quando o mundo é isto, quando o mundo sabe a terra e ao fel das coisas…
Amar quando tudo está bem é fácil – a verdade é que, agora que transcrevo isto, nunca deixou de estar (no que é lógico e suposto que esteja, nos olhos do chão)… mas isso não é amar… é só criança contente, conivente com os “sins” da vida… amar é quando tudo é este barulho… os 7 euros do metro, a chuva, os pés molhados… é difícil amar assim… e é só assim que se ama… que se aprende, que se sabe que se ama… mesmo quando os olhos demoram a molhar… Continue reading

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