Cartas de Amor a J. IV (as palavras, sempre as palavras)

M. Augusto

Desculpa. Por ser assim… Volátil. Sujeita à intempérie das palavras… àquilo que eu lhes invento… O poder que eu lhes dou… O poder de me destruírem… As palavras, meu amor. E, às vezes, eu não sei se sinto isto tudo… ou se é um capricho de lirismo… um capricho de sentir, de chorar como agora… não sei… Continue reading

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Borboleta em Contorção

És um homem otimista… tens fé em mim… isso é bom (estou armada em eufemista e cheia de medo, deve ser isso).

E nada desta conversa simularia gravidade, não fosse a esterilidade deste visor e tudo o que ilusoriamente nos separa… quando te vejo, derreto-me nos teus olhos e tudo o que eu digo é Verdade… sem isto… sem este medo, este terror de perder. Continue reading

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Devo Ser Tanto

Agora faço as coisas como me apetece… não estudo porque tenho de estudar… não leio porque tenho de ler… porque é suposto…

Sou mais livre… troco Kant por Pessoa, mesmo que amanhã tenha exame…ou deixo tudo e medito, sentada no mundo… ou vou escrever… ou troco isso tudo pelo deslumbramento próprio a ouvir poemas no Youtube… enquanto penso nele, o invento… e depois?

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Sobre me ser

Tenho sempre um apelo natural pela água… vejo água e os meus olhos querem entrar. O meu corpo todo quer entrar, porque os olhos não chegam para ver tanto… para ser tanto como eu sou, quando vejo água.

E o sol é como constelações desenhadas, numa impressão celeste, quase real.. estrelas a ditar a valsa dos meus olhos, prontas a impressionar-me, impacientes para serem notadas… como se precisassem. Continue reading

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