Uma Borboleta Quer Dizer Metamorfose

Hoje, terminámo-nos. Não mais do que isto. Meia dúzia de frases bastarão… ou, porque nada irá chegar, fico-me pela meia dúzia.

Amanhã termino a borboleta que comecei, quando te conheci. Durámos o tempo de uma borboleta. E foi bom. Lembro-me de me dizeres que não querias que eu fosse efémera como uma borboleta… acho que o Universo te fez a vontade ou, no fundo, tu já sabias que eu me ia, quando ela acabasse. Continue reading

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Delito emocional. O Amor e um Berlinde.

Gostava que soubesses que é duro… que eu nunca quis isto para nós… acabo sempre por vir aqui acertar contas com o mundo… dóis-me como bolas de berlinde  a respirar… as bolas com que ainda somos capazes de brincar, mas não servem mais ao propósito… todos nós somos capazes ainda de jogar ao berlinde, isso entretém-nos, mas já não nos serve de nada. E tu dóis-me como uma bola de berlinde… nunca lhes dei muita atenção, mas quando elas apareciam, eu estava disposta a focar, a prender os meus olhos nelas… saber-lhes o dentro, as cores e as formas todas… batia com elas no chão, sem querer…

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Rainha das Galáxias e Astronautas sem Nave (E adeus é mentira)

Os meus preferidos são estes… os que chegam, se apropriam e dizem coisas que eu não sei. O principal sentido é a arte não fazer sentido nenhum. É que ela nos quebre a métrica do sensível, é que ela nos deixe atravessar dimensões, é que ela nos permita ser sensacionismos novos, intercecionados com cheiro de «Pauis» – de Paulismo. Obrigada, Deuses. Obrigada, Céu. O único lugar verdadeiro da Arte.

M. Augusto

Amo-te, não te quero. Garrett começa assim um poema – ou talvez seja ao contrário e eu tente legitimar a minha contradição. Creio que se chama “Adeus!” ou será “Não te amo?”. “Amo-te, mas não te quero” parece-me adequado agora. Amo-te como Deus quer. (Eu já escrevi isto). Outra vez. Quando Deus, o da coluna, quer que eu vá, eu vou. Não pestanejo face ao cosmos. Submeto-me à la Reis. Helénica que sou. Continue reading

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Anti-parnaso na Cidade

A cidade dói ao entrar… as luzes confundem-se, atropelam-se, fintam-se e fazem-se mal… na cidade tudo cheira a doença, a cinzento… e a gasolina rasga no ar… na cidade, as pessoas vestem-se diferente… simulam a alma, as dores dela e de tudo o que lhes dói… na cidade há quimonos pretos por cima de rendas vermelhas, roupa metálica em pregas pesadas, paralelepípedos abnegados…

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Do Corpo paralelepipédico e do sexo nas Pick Up

Hoje, eu estava a folhear uma revista dessas novas, ou velhas, sem ponta de humanidade por que se lhe pegue e, por isso, os humanos gostam… gostam, porque gostam de tudo o que os desumaniza, de tudo o que os faz esquecerem-se de quem são, de tudo o que os pinta de uma maneira diferente da que são… de tudo o que os simula, os cola a chumbo colorido de dor e de braços desenhados a barro… gostam, porque os humanos não gostam de quem são… e, por isso, porque para além de não saberem quem são, não são quem são – como podem gostar de quem são e sê-lo, se não sabem quem são, se têm medo de serem quem são? E isso nota-se muito bem no corpo…

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Carta de Dor de Uma Menina de 14 Anos

Márcia Augusto

 Este texto não está publicado integralmente, nem poderia… um dia, talvez, ele veja a luz das livrarias num livro… por enquanto, ele é meu. Mas porque eu já não sei ser só minha e porque também publicar me cura, fica aqui um excerto muito breve de um total de 3103 palavras.  E começa assim:

Não sei ser livre… sou demasiado cuidadosa, demasiado preocupada com a opinião dos outros para ser livre… estou demasiado ocupada com aquilo que os outros vão pensar sobre mim… e magoo-me. Sujo-me na terra onde nem sequer me permiti rebolar-me. Continue reading

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Do que nos salva

(…)

Enquanto o círculo não fechar, vai sempre falhar alguma coisa… faltamos nós, este monumento-carne  de amor que nós somos… gosto, quando recebo mensagens de gratidão pelo livro, pelos vídeos, pelo meu trabalho… gosto de saber que ajudo pessoas… gosto de amar… quem não gosta? Gosto de sentir como sou invencível, como nada me pode fazer mal, quando amo… Continue reading

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Porque eu também deprimo. E depois?

Eu não escrevo porque tenho histórias… eu escrevo para me salvar… deste barulho infernal que é o silêncio… como se no papel houvesse um “tu” mais digno… mais condescendente comigo e com tudo que eu sinto, que é nada… sei que cedo aos pensamentos que não servem… e ao comandante que me escraviza o lado esquerdo… não tenho razões para estar assim… já sei… mas estou… é uma dor cósmica… quem a tem sabe do que falo… de algo que não é de cá, que me convoca para dentro… Continue reading

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