A única tarefa do mundo

Às vezes, eu só quero ser eu a ser… livre… andar no mesmo ritmo que o coração me pede… devagar… ouvir os pássaros a ser… ouvir a vida a ser livre.

Gosto de atravessar a rua para ver as borboletas… gosto de as sentir nos dedos… gosto dos pássaros nos meus ouvidos… gosto de como o meu coração desacelera… acorda com a Terra… de como o meu olhar turva, só porque eu quero, escolho ouvir…

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Em tudo eu entrei para falhar

Em tudo eu entrei para falhar… nos empregos, no amor… tudo tinha um fim certo.

Escrever foi ou é a única coisa em que eu nunca achei que pudesse falhar (porque na escrita não se falha… na escrita faz-se o que tem de ser feito, aceita-se a criação como ela vem)… que pudesse acabar… com ou sem apoios (?), barulhos ou golpes de asa… eu haveria de escrever sempre, porque isso é a minha (?), a minha banda sonora de filme, a minha hollywood inventada… a minha brincadeira preferida de infância…

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Borboleta em Contorção

És um homem otimista… tens fé em mim… isso é bom (estou armada em eufemista e cheia de medo, deve ser isso).

E nada desta conversa simularia gravidade, não fosse a esterilidade deste visor e tudo o que ilusoriamente nos separa… quando te vejo, derreto-me nos teus olhos e tudo o que eu digo é Verdade… sem isto… sem este medo, este terror de perder. Continue reading

Cartas de Amor a J. e ao mundo que está a Ser I (Ou Diálogos Essenciais entre M. e J.)

Paro deslumbrada, enquanto te escrevo… A sentir o que sinto… pleonasmo necessário de quem quer ir ao Princípio de tudo o que tu és, que nós podemos ser.

O “pica” do autocarro sorriu-me como Quem é cúmplice disto tudo… como Quem faz parte deste Todo… um amor nos olhos que me dá, enquanto me sorri… que não sabe que me está a dar… não sabe que é capaz de dar. Continue reading

Cartas de Amor a J. II

Só te posso dizer obrigada… Pela evidência ácida de que somos feitos de perdão… De amor absoluto e incondicional.

A invencibilidade de que te falava, pude aceder-lhe hoje… essa certeza de que nada nos pode fazer mal… A certeza de que estou a salvo de tudo… A certeza de que há uma pureza celestial em mim… A certeza de q só tenho de escolher de novo… Outra vez. Amar. Perdoar. Perdoar me a mim… Continue reading

Eu de mim a mim mesma

Deslumbrei-me…. os olhos tomaram-me os meus olhos… meus, mas não eram meus… ou quem eu sempre fui, mas tive medo… ou fiquei petrificada…  sem me mover durante uns cinco ou sete minutos… tomada pela Verdade… pelo o susto bruto de mim… pelo baque de mim, de quem eu Sou a mim mesma. 7

Os olhos ganharam uma luz própria… assustadora, porque veraz… não havia corpo (nem tempo)… só os olhos; o corpo suportava a luz, a mensagem dos olhos.

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Cartas de Amor a J. I

É qualquer coisa de inevitável… isto… esta vontade de me dar, de me doar… de dar o que eu faço… sento-me para meditar e não consigo… estalam-me os ossos, como se não fosse suposto parar agora… preciso de vir aqui.

(…)

Também não sei o que foi aquilo… Mas acho, sei que estou no meu caminho… Como tu estás no teu. Não sei o que é. Mas sei que é certo.

Foi um encadeamento transcendente de coisas… e, mais uma vez… Não sei o que é, mas sei que foi verdade. Tudo aquilo foi demasiado real. Demasiado evidente… Claro, necessário – de necessidade cósmica, o que tem de ser. Continue reading

Devo Ser Tanto

Agora faço as coisas como me apetece… não estudo porque tenho de estudar… não leio porque tenho de ler… porque é suposto…

Sou mais livre… troco Kant por Pessoa, mesmo que amanhã tenha exame…ou deixo tudo e medito, sentada no mundo… ou vou escrever… ou troco isso tudo pelo deslumbramento próprio a ouvir poemas no Youtube… enquanto penso nele, o invento… e depois?

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Festa de Aniversário

Oh… por que não me amas o corpo? Esta pele que te ama, também. Esta ânsia, este não sei o quê que te quer, que é falta de carne exposta… que não é Deus, bem sei… mas que te quer, que precisa de te resolver… no meu cabelo, no meu colo e na pele que te estala os olhos.

Não te amo… só te quero. E o que dizer a esta mesa cheia, vazia de ti,  arrastada da vontade e dos meus olhos que te querem?! Está quase. Mas é um quase que nunca chega, que não conheço… e para quê conhecer tudo? Continue reading

A L.

Escrevo-te no fumo e nos olhos que me deixaste, para conservar o calor de nós os dois, L.

Não te dei os olhos… eu sei que te fugi com os olhos, L. Não porque não te queria. Na verdade, esta noite eu só te quis, L.

Inventei os teus braços nas minhas ancas e cantei para ti. Ouviste?

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