Felizmente, os homens não tinham Business Plan

Se os homens soubessem o que havia do outro lado do mar, não seriam conquistadores, descobridores, navegantes.

Seriam ambiciosos que não gostam de correr riscos ou que correm riscos controlados. Antigamente, não havia business plan e os homens descobriam o mar, outros continentes, outros países, outras cores e outras raças. Descobriam tons de pele, cabelos diferentes, tudo diferente.

Desafiariam a sua cultura, cruzariam genes e nós estaríamos aqui.

Felizmente , felizmente os homens agiram sem business plan. É para lá que eu vou .

II

Os homens não sabiam o que havia do outro lado do mar. É por isso que são heróis.

É por isso que gosto e me movo para o desconhecido, horizonte, abismo de mim pequenino, descoberta do Eu grande, do Eu maior que mora em mim e que me pede mares novos. Estou farta de muros e de construções.

Eu quero saber o que mora no outro lado de mim, na rota que nunca percorri… Na água onde nunca me molhei.
Antes morrer afogada na água dos meus sonhos do que morta de sede na terra dos descobrimentos seguros.

#ElasaDoAvesso in #MonologosDoAvesso #Diarios

Post Scriptum: coitados dos livros de História se os homens não usassem do condimento coragem, essa varinha de condão que não conhece o Excel ou, pelo menos, o ignora, sabe mais do que ele. Conhece o sonho, o Papiro de cada um, e para lá nos navega. É preciso queimar o mapa, é preciso inventar mapas novos. O mapa de quem somos, perdido de nós, líquido amniótico, ferida por lamber.

#RegressoÀPlacenta

Falta desobedecer na mente

(O francês sempre me soou a liberdade.)

Num dia que vem depois do da Liberdade (como assim, depois? Há tempo sem liberdade?), num dia em que, mais uma vez, precisamos de um calendário para nos lembrarmos da intensa e irremediável responsabilidade de sermos livres dentro de nós próprios, falta a verdadeira revolução. A da mente, a do regime prisional de dentro, a do guarda noturno, que reprime, te alheia dos sonhos. Faz falta desobedecer.

Falta a revolução dos cravos na mente, o único regime ditatorial que nos suprime. Falta rebentar as grades do que não vê. Falta romper.

Não nos iludamos, o único lugar possível de liberdade é na mente, é lá que estão as grades e o musgo todo.

#ElasDoAvesso

Urgem as revoluções de dentro, as únicas perenes. De que vale um papel, se continuas refém de ti próprio, das tuas próprias estruturas?

De que vale um casamento se não amas?

De que vale uma democracia, uma escola, uma educação livre, se continuamos reféns dos andares de dentro, se continuamos egoístas, com medo do salto e, sobretudo, com medo de nós próprios?

Faz falta desobedecer à voz que diz que tu não podes.

#Inspiracões de leituras e voz #LauraAzevedo com #FazFaltaUmAmor

#SalgueiroMaia com #AsvezesÉPrecisoDesobedecer

O francês é irremediável em mim e vem da Coco, eterna aprendiz da liberdade, como ela.

Opostos não. Equilíbrio

Opostos I

Os opostos atraem-se porque a atração transcende o mundo, vem de outros planos, torna uno o que este mundo separaria para sempre pelas suas leis. Olhamos em direções cruzadas, com o mesmo ponto de nascimento e de interceção. Como uma árvore. O mesmo tronco com dois galhos diferentes. A mesma base, a mesma raiz, para todas as árvores. É de lá que vimos e de onde nasce a nossa união. Opostos atraem-se, até porque estão na mesma linha. Precisam de vir até ao meio para se encontrarem.

Opostos II

Opostos não são assim tão diferentes. Partilham a mesma minha. Vão para o meio. É lá que une. É lá que está o coração. Onde todas as conciliações são possíveis.

<<Equilíbrio

#ElasDoAvesso

Quero lá saber do correto

Três anos a meditar como uma louca, a anestesiar o ego e a mente… Uma voz não para de perguntar “are you cheating on me”?

Quisemos meditar para estar no momento, mas tudo o que conseguimos com medalha e afinco foi sair do corpo e rejeitar o que não era bonito.

Reconheço e honro o que aprendi. Estou muito melhor pessoa, mas é hora de deitar abaixo velhas estruturas. O ginásio definiu um six-pack, mas nem por isso passo lá a vida. Quis um six-pack na mente. É esse o caminho? Engavetar a mente numa perfeição que não lhe é natural nem útil? Elegância demais oblitera. Perfeição a mais executa-me. É assim que me sinto, executada na mente. Às vezes, chego-me e toco-me a Mim. Sou bonita e infinitamente perfeita. Sou bondosa e sou incrível, quando Sou. Mas não sou isso o tempo todo, ou não tenho consciência de que sou Isso a tempo inteiro. No resto do tempo executo-me, mutilo a mente, assassino-me vezes sem conta.

Perdi-me de mim para descobrir quem sou, descobrir que estava tudo bem com aquela criança que brincava na terra e ria. É para lá que quero ir. No tempo em que um caracol era só um caracol. No tempo em que não havia xamanismo nem significados ocultos. A vida era o que se apresentava e o que eu sentia. Matávamos sem querer um caracol com os pés e fazíamos-lhe uma cerimónia fúnebre com ervas da eira. Era sentido e libertador. Ninguém sentia culpa. A vida era o que era e honrávamo-la por isso. Não meditávamos nem rezávamos muito. Éramos simplesmente normais. Tínhamos medo, chorávamos mas esquecíamos a dor, atirávamo-nos ao chão e perdoávamo-nos por isso, além do “balázio” que furava a barriga. Era simplesmente Eu e não perguntava quem eu era… Ok, às vezes, no espelho perguntava de onde vinha, mas, no resto do tempo, era simples como o libertar de um rouxinol… Tinha sono, comia demais, fantasiava sobre coito, lia exageradamente, escrevia desalmadamente e perdi-me. 15 anos (ir)remediavelmente perdida. Há três anos dizia “que se lixe o mundo”, hoje digo “que se lixe a minha mente” e pego nas chaves, de volta.

Às vezes, perco-me, mas tudo bem com isso. Que seca meditar todos os dias, que agonia rezar até o coração apertar… O corpo é feito para mexer, alma latente a querer mover. Eu canto a libertação, quero lá saber do correto.

Sexo e útero, por favor

Aprendi a amar a liberdade ladeada, soçobrada por grades. Ladeei o tesão, disse-lhe que ele não podia, mas, o pior de tudo, ladeei-me a mim. Enfiei-me numa gaiola, promovi-me a brilho sem penas e fiquei. Fechei-me por dentro e achei que o mundo em grades era normal. Fechei-me, fundei-me no meu próprio fanatismo para me esquecer de mim. Foi na perda de mim, ou na iminência da perda, que me encontrei, que não permiti mais à minha cabeça que me dissesse o que podia e não podia fazer. Conheci a dura repressão da sociedade na minha própria cabeça, agora não havia ninguém para culpar. Só eu e nem a mim. Perdoei-me nas cinzas, porque era só eu e ela. Vi-a. A cópia de mim, demónio de mim. Ela ainda fala, mas eu não a ouço ou tento não ouvir. O coração aperta, fundamento-me, autorizo-me em cartas, desisto de mim porque elas dizem que não. Foi na dura repressão de mim que encontrei a liberdade, é no oposto que toco a coragem de experimentar o inverso, o avesso de mim… Talvez exagere, mas quando morrer não poderei dizer que não vivi ou que morei estranha de mim. Conheço bem os meus fantasmas e as minhas fadas eruditas. Conheço “o terror e a claridade” (Sophia, avó-poesia). Não o nego nem a venero. Caso-os como uma pilha. Ser mulher e ter um buraco ensinou-me a ser fecundada pelo que não sei, pelo e o que não conheço, eterno mistério de me abrir. Vivo em eterno sexo com a Vida e espero que ela me coma toda, agora, eu aqui, submissa e submersa para que ela mande. Abrirei molhada ao que não sei, sempre que ela venha. Fecharei, respeitarei os meus limites, sempre que ela me seque de mim. Sexo, eterno amigo, professor incompreendido, moira de mim, ai de mim se não me conheço.

#ElasDoAvesso

“Deus tem logos?”

Logos – razão, discurso, em Grego.

 

Hesitei, mas não resisti… aqui fica uma proposta de domingo à tarde, bem #ElasDoAvesso para se descansar na Filosofia… a Filosofia é uma girândola a brincar… não tem nada de sério, nem de grave aqui. Sejam felizes.

 

Retirado de um post do grupo Avesso e (Des)educação: Proposta para domingo de Páscoa. Gostava mesmo que vissem…coloca em análise os nossos valores, os catecismos todos a que fomos sujeitos – filosóficos, religiosos ou, pior ainda, os nossos, os mentais, os que navegam na nossa mente, nos obliteram e nos fingem -, a criação de um ideal a que temos de corresponder em contraponto com a perfeição de quem somos agora. Não há certo nem errado, há frequência, há amor nas escolhas que tomo. Isso é o que confere Verdade, não o que faço. É quem sou, como sou, que confere Verdade ou, como fala a poetisa e professora, Vida. É uma proposta… substituir Verdade, esse conceito que criamos absoluto, por Vida. Não considero que o transitório seja o Bem, ou a Verdade, como afirma… mas considero, porque experimentei, que são os olhos do imutável sobre o transitório que casam a felicidade que o ser humano precisa… o nobre e leve casamento entre a sua natureza transitória e a sua Verdade absoluta, o Bem, Deus, o que lhe queiramos chamar. Ainda assim, o Bem não cabe nos livros, é apontado… mas, se identificado com o Bem, gera doença. O semáforo aponta parar, mas não significa parar… é um instrumento. Que não nos deixemos dominar pelo instrumento e que sejamos elevados à categoria de deuses encobertos que usam os instrumentos para os elevar à categoria do Bem. Sejam felizes, por favor. <3 Amo-Nos <3 Até já!

 

Uma janela encoberta

Não há verdade. Há olhos para se ver. Há céu. E isso é independente do que acontece. Não há certo, há olhos para ver. Um corpo, a profundidade de uns olhos ou das repas que abrem uma testa. Há o fluxo de vida a ser. Um top e um corpo moreno coroado pelo cabelo roxo. Há vida. É a única coisa que existe. A incondicionalidade do amor, bicondicional da equivalência absoluta entre mim e Deus(1). Deus é uma criança encoberta, é uma janela no ferro do autocarro. É a inspiração onde não havia nada. Nunca houve e ainda assim há tudo, graças aos meus olhos. Antes escrevia mas não sabia. Demorei três anos a saber o que escrevia. Escrever é imediato, é verdade oferecida. Não há porque não confiar.

Está tudo “mal” (2) e está tudo perfeito neste autocarro onde tudo cheira mal e se fala de Goucha.

(1) Em Filosofia – Lógica -, dizemos que “chove se e só se cai água das nuvens”. Quer dizer que, se invertermos, a condicionalidade é a mesma, por isso “bicondicional”. Ora, se digo “cai água das nuvens se e só se chove” é igual a dizer a primeira. Ou “a camisola fica molhada se e só se se molha” é igual a dizer “a camisola molha-se se e só se fica molhada”. Estamos a usar enunciados óbvios para representar o bicondicional equivalente de Deus, eu sou (amor) se e só se estou em Deus = Eu estou em Deus se e só se sou (amor). E esse é incondicional, independentemente da situação, desde que eu esteja (se e só se) identificada com a Fonte, que para mim é Deus (Amor, Criador do Universo, Criação…)

(2) para o eu-indivíduo

#ElasDoAvesso

#MadreFilosofia