Um livro

Um livro é como um homem

Não se pode levar, porque se gosta um bocadinho disto, mas não se gosta muito daquilo

Um livro é para amar por inteiro

Quando quiser saber como lidar com um homem, pensarei num livro, sempre num livro.

#ElasDoAvesso

(a propósito do livro abaixo, de Vinicius de Moraes. Estive quase, quase, a cair na cantiga de um poema. Como este.)

Poeta, poetisa por favor

É quando eu não sei que a poesia irrompe, é quando me despojo de certezas que Ela pode entrar. A poesia será sempre a união entre os mundos. Uma profissão, um ofício? Poeta, poetisa por favor.

#ElasDoAvesso

(adoro a palavra “poetisa” e não me conformo com o uso de “poeta” para o feminino. Ainda bem que o dicionário me dá razão. Mas aqui não há razão, ou há a tal da “razão do coração que a própria razão desconhece”. Pudesse amar como amo quando há a Poesia.

A W.

A ?

Contigo/connosco

Não sofrerei de ciúmes

Não chorarei todas as noites

Não esperarei por ti em toda a parte

Não sofrerei.

Terei orgasmos, porque já os sei ter de novo.

Seremos plácidos

Amantes, não amados.

Seremos calmos e respeitados.

Senhor e senhora

Casa paga, particular

Férias longas

Amor à porta…

Num passeio

Num homem com quem

Vou sonhar

Não, hoje não, desta vez não.

Desta vez merecemos Amar

Merecemos ser felizes

Merecemos não nos termos

Um ao outro

Ter a coragem de esperar por quem

Não nos faça

Mas que seja connosco

Contigo esperarei a verdade

Neste poema

Num bar ou num café

Aonde nunca iremos

Obrigada,

Somos livres.

Amo-te ainda

Porque não te tive

E não nos esborrachámos

Num qualquer sofá.

Até sempre.

Desta vez, não.

Desta vez, sim.

Viva ao amor,

Viva.

Desta vez, queremos

Teremos a coragem de amar

De sermos desesperados

Porque acreditamos que o amor

Chega

? e ? anos

Depois.

Tem de chegar.

Porque merecemos.

E fomos úteis,

Verdadeiros.

Quem diz que a verdade não é

Útil é porque nunca mentiu.

#ElasDoAvesso

A uma gata

A uma gata
Desculpa deixar este ato de ser meu e dá-lo ao mundo.
És tao bonita
Sei que me salvaste.
Tantas vezes. Obrigada.
Gosto de como descansas assim, abandonada, descansada, confiada nos teus braços e no silêncio da dobra do quarto.
Amo-te.
Nao consigo dizer mais.
Desfazes-me e dizes que tudo é simples na dobra da cama por debaixo da tua pata, quando descansas o narizinho perfeito, esfinge que é.
Amo-te.
Obrigada. Pela honra de te amar, pela honra de te receber e de poder viver contigo, partilhar este limite de tempo de jornada contigo. Obrigada.

#ElasDoAvesso

E se tudo for fácil como agora, e se nao houver nada de errado com o mundo?

E se?

Um poema, uma transigência e a fila num autocarro

Há duas coisas em que confio, as minhas lágrimas e o meu sorriso. O sorriso que me rasga a cara sem eu contar. Quando dou por mim, estou a sorrir. E as lágrimas… são o que há de real em mim. Nao consigo fingir. Elas simplesmente saem. Espontâneas. Como é a própria vida.

Um poema, uma transigência e a fila num autocarro. Assim é a arte, assim é a vida, espontâneas. Como o homem que me olha, achando que me perdi no telemóvel, enquanto me debico na estrada.

#ElasDoAvesso

Conversas do Avesso II

O Conversas do Avesso acaba de nascer e já está no ar o primeiro programa. Podem ver aqui.

O segundo programa incidirá sobre a heroicidade… que tipo de herói perseguimos e porquê? Quem nos ensina e porque acreditamos? Pegamos nas obras de “Os Lusíadas” e de “Mensagem” para fazermos a ponte entre o herói que queremos ser – o de Hollywood – e o herói que podemos ser – o segundo.

Mas, sem mais delongas, deixamos um vídeo que nos parece bem elucidativo do que aí vem. O programa será em podcast (só áudio), porque, como veem, a “minha imagem” neste dia estava severamente afetada 😉

Um beijinho e até já!

Às 11h, na próxima sexta-feira no canal do Youtube “Márcia Aires Augusto”.

Obrigada!

 

Livros ou dinheiro? Livros, por favor.

Ganhar dinheiro com os livros? O que é que os livros já ganharam comigo? O que é que eu já dei de mim aos livros para que lhes possa pedir o que quer que Seja? Eu devo aos livros. Amor, perdão, loucura, vida e salvação. Nunca o contrário.

Os livros exigem sempre o sacrifício de mim, o sacrifício do “eu” mais velho e antiquado de mim. Exigem que eu saia. Que eu me desfaça. Costumo dizer que quando Deus quer que eu cresça, primeiro tira-me tudo – se houvesse um “eu” a quem tirar – e depois dá-me um livro, textos soltos, poesia… Palavras para me curar. Sempre decorei o desafio do “queres mesmo?”… Mas queres ao ponto de deitar fora a empáfia, a arrogância, o snobismo e esses berloques todos que trazes atrelados ao coração? Quero. É sempre a resposta. Dói. Dói muito. Mas vale tanto a pena!…

Aos livros, às dores emancipadas, obrigada. Afinal de contas, não sou eu que os faço, são Eles que mos dão… De mão beijada, depois de lamber o fel das estradas e do alcatrão todo. Não, não são eles que mo exigem. Sou eu, EU que não os deixo passar, pedindo que passem. Quero que passem comigo lá… Eles dizem que não. Não tenho outra escolha que não a de me desfazer. Nunca é consciente, se fosse, não contaria… É o aceitar desfazer-me, porque sim. Porque o “eu” velho já não faz cá falta. “O herói de hoje é o tirano de amanhã” (Joseph Campbel), bem sei… Mas, por agora, deixem-me aproveitar a beleza, o lustro da estrada.

Sabe tão bem estar viva! Obrigada, obrigada, obrigada!

#ElasDoAvesso

Poesia de marquise e um arco-íris na cafeteira

In #PoesiaDeCordel

(porque ser de marquise não significa que não tenha a finura de pertencer ao cordel)

Às vezes, acuso-me de melancólica demais, viva demais, sentimental demais, capaz e procuradora da dor do outro para me unir à dele e senti-la. Vamos sentir juntos. Como se a que nos cabe não chegasse. Não chegasse para sentir esta unidade toda. Mas depois, depois é isto que me faz procurar o silêncio de uma cafeteira de ferro e um arco-íris sem espuma, na água do espelho. A beleza, a beleza está em todos os lugares. É só preciso saber olhar ou deixar que olhem por nós.

#ElasDoAvesso