PREÂMBULO (DO QUE É) ORIGINAL

Saudades de estar. Saudades de corpo, de sentir gente… de olhos que me lembrem, lembrem de Casa… de pessoas que me lembram de sorrir, ou que me fazem sorrir, só de pensar nelas, quando Estou.

Saudades de prestar reverência à vida… o mínimo que lhe posso prestar.

Saudades de sorrir com os olhos, as têmporas e a pele rasgada a fazer-me una com tudo, como uma pele que quer sair para se unir com o resto que eu não vejo… sorrir a desconhecidos ou receber os olhos deles… que são tão meus, tão Eu, tão no Todo, na viagem.

Continue reading

Dar

Devemos sempre amar.

Devemos sempre partilhar o que é nosso (porque nada é, de facto, nosso), o que nos deram para partilhar.

É impossível dar sem que se inicie uma cadeia de dádiva. Impossível. É impossível amar sem ser amado de volta (amar desinteressadamente, o único Amor possível). O universo funciona numa circularidade ressonante perfeita. Continue reading

Que Deus me livre

Não me posso comprometer com ninguém, não consigo, não posso, não tenho como. Mas, sobretudo, não quero.

Não posso comprometer-me com uma causa particular, específica, que me aparta, que me separa, que me priva. Não posso. Eu sou comprometida, sou noiva, sou mulher prometida do Todo, do Uno qualquer que é tudo, que me envolve, que me abraça, que dá colo… 
Continue reading

É difícil amar

É difícil amar quando o mundo é isto… deve ser isso que tenho para aprender hoje… que é difícil… está um barulho infernal, num eco de catacumba…
É difícil amar quando o mundo é isto, quando o mundo sabe a terra e ao fel das coisas…
Amar quando tudo está bem é fácil – a verdade é que, agora que transcrevo isto, nunca deixou de estar (no que é lógico e suposto que esteja, nos olhos do chão)… mas isso não é amar… é só criança contente, conivente com os “sins” da vida… amar é quando tudo é este barulho… os 7 euros do metro, a chuva, os pés molhados… é difícil amar assim… e é só assim que se ama… que se aprende, que se sabe que se ama… mesmo quando os olhos demoram a molhar… Continue reading

Agora que eu não sei (e isto não é sobre literatura)

Tenho uma obsessão por liberdade. E eu sei, eu sei que, às vezes, não fiz o que a minha mãe queria para mim… não lhe dei o coração sossegado que qualquer mãe quer. Também não fui certa e mudei de emprego muitas vezes… fui viver no fim do interior de Portugal, porque sim… porque precisava de não ouvir carros… e de não ver mais as mesmas pessoas… eu sei que não avisei ninguém e que o meu namorado soube que eu ia embora 2 dias antes… também sei que o meu namorado seguinte não quis muitas coisas que eu fiz, que eu precisei de fazer para ser…

Eu não pertencia a ninguém… eu só era de tudo, num todo qualquer que me abraça, que me quer e que não me deixa ficar para sempre em lado nenhum. Acho que… porque eu não sou de cá… não sei… estou numa viagem.
Continue reading

Do Amor (des)legislado

Amo-te, porque me amas sem reservas, sem condições… sem premissas. Amo-te, porque me soltas no tempo, sem te esqueceres que Sou.

Amo-te, porque me ligas no vazio do fim da tarde… há sempre poesia nos poentes… sem nada que te justifique… sem nada que nos permita a intimidade de amantes.

Amo-te, porque me soltas.

Porque me amas livre, sem mãos certas, sem vontades que adivinhes, com os corpos todos que tu não me sabes. Continue reading