Que Grande terapeuta que eu Sou

(Continuação do “Quando eu fui à livraria (o dogma do mesmo)” )

Apercebi-me também de que já não escrevia há muito… achava que estava sem inspiração, já disse… mas, na verdade, faltava-me coragem para ser quem eu sou. Esta coisa de ser terapeuta tem muito que se lhe diga… muitos dogmas, muita merda para limpar… tenho um problema que, pelos vistos, é uma bênção… antes de terapeuta, sou escriba… preciso de escrever, preciso de me resolver no papel e acho uma grande cobardia e irresponsabilidade não partilhar isso com o outro. Já não mo permito. Acho mesmo necessário… acho mesmo importante que outros leiam e saibam que não estão sozinhos no coração que dói, na merda toda que os desassossega. Continue reading

O (meu) maior amor do mundo

Comove-me o queixo de uma gata, porque isso é ela estar viva. Comove-me, devolve-me a mim escrever só para mim, como no início de tudo… quando eu escrevia nos cadernos e eles iam para o lixo. Comove-me não me preocupar com a expressão perfeita, a expressão bonita, mas tão-somente o choro que corre quando escrevo. Comove-me estar viva.

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Clipsera – Bruxas em Sophia Hokmat. Uma estória de Toth

Sophia Hokmat era o nome de hoje… Clipsera desde cedo acordara com ânsias de qualquer coisa, quem sabe o que apetece a Clipsera? Clipsera acordou com vozes de um sonho, não sabe de quem nem o que lhe disse, mas algo a chamava para Toth. Temos de dizer que a figura humana com bico de pássaro, com que começa este livro é Toth, mas Clipsera ainda não sabia aquando do momento da primeira transcrição. Foi nas suas brincadeiras com as cartas, os livros dos mortos e outras estranhíssimas coisas que Clipsera estudava que foi dar com  Toth. Continue reading

Oração a Deo (de joelhos)

Que estranha forma de vida, esta de viver sem me pertencer, sem ser minha por completo… Nem por metade. Não sou minha… Sou de uma ilusão qualquer. Hoje, apetece-me sair, estar comigo, beber um copo, dois, fumar um cigarro se me apetecer… Mas não há ninguém para sair e a verdade é que, mesmo que houvesse, eu não queria sair com ninguém.

É de mim que eu tenho falta, de me ouvir a mim, de me lembrar a mim dos meus fantasmas, de saber de mim, do que me apoquenta, do que me tira a paz, do que me atira para quem sou.

Não sei quem sou… E isso dói como ferros quentes no coração… Estes de não me deixar viver, de não me deixar ser quem eu sou, de não me deixar viver à minha maneira, este de corresponder aos dogmas de uma sociedade que me atrofia o estômago, me mói, me molesta, me abusa… Que raio de terapeuta posso ser? A melhor, porque me acuso, porque me mostro sem carne, sem pele e à mercê. Quiero ser libre, vivir mi vida con quien yo quiera. Dios dame fuerza, que me estoy muriendo por irlo a buscar. É Chavela Vargas quem diz e sou eu que a ouço. Amo-me. Quero amar-me incondicionalmente, quero foder-me com todas as forças, ir ao fundo de mim, do animal que eu sou, para que a alma floresça, ela só aparece num corpo livre, numa matéria com espaço e eu não dou espaço a nada do que eu quero ser.

Sinto que saí de um dogma para entrar noutro. Sinto que saí de algo que me prendia para me prender de novo em algo mais certo, mais verdadeiro, mas nem por isso eu… Dói-me como ferros. Já disse. Quero ser livre. De mim. É o que me falta.

Que eu seja livre, meu Deus. Que eu possa responder e corresponder à promessa que te fiz… A de ser como tu és, como tu me criaste, que eu honre a tua filha em mim. Amo-te, meu pai. Não te sei falar de outra forma, a não ser a escrever. Aqui, eu tenho a certeza que tu me ouves. Aqui, tenho a certeza de que somos iguais, de que me posso desfazer em mil e de que tu me amas na mesma. Aqui, eu posso ser eu sem corresponder às estruturas… Porque me mandaste para aqui? Porquê que eu quis vir? Estava tão melhor no calor vazio de ti, no nada que é tudo… Porquê, meu pai?

Nas orações, a falar, preciso de intermediários, tu sabes… A falar sou profana, mas, aqui, aqui, só aqui, sou tua, sei de onde vim, restabeleço-me e subo à tua condição de filha, de tua filha livre. Pai, não me deixes fugir mais de mim. Ajuda-me a ser quem eu sou. Ajuda-me a amar-me incondicionalmente e a ser, de uma vez por todas, quem eu vim para ser. Estou farta de panos quentes. Amo-te, pai. Ajuda-me a ser Tu! Amo-te!

#ElasDoAvesso

Márcia Aires Augusto

Clipsera foi ao fundo da Terra – Os Ionis

Como já dissemos, a Clipsera muito custava voltar às viagens e às histórias que aqui os narradores querem contar. Clipsera não os entende, nem eles a entendem a ela, posto que, nem sempre é fácil contar o que acontece no espaço do que não vemos, no espaço da Visão, sem tempo nem lugar. Mas Clipsera iniciou agora mais uma viagem, desta vez na Terra, não sabemos se vamos ao céu, ou ao fundo da Terra, onde moram o magma, figuras contorcidas que nos sugam o mal para lá da “força”, para lá do que conseguimos suportar, é por isso que estamos na Terra, ela consegue  sugar-nos o mal. É o caso dos nossos amigos Ioni, chamam-se assim não sabemos porquê, moram no fundo da Terra, nas primeiras camadas de cima, quando começamos a perfurar a terra da Terra, e o mar também… é o que está abaixo… acaso já nos perguntamos o que acontece por de baixo da areia que está no fundo do mar? Achamos que é só areia e depois há uma esfera e o mundo acaba aí? Ora, façam-me um favor. Continue reading

Clipsera foi ao Egito – Clipsera em Arctus (Capítulo V)

Não estamos a brincar… Clipsera foi ao Egito, mas por obras e tramóias foi lá em cima e veio. Vejam, que é como quem diz, leiam… vale muito a pena!

Love, Márcia.

Capítulo V

(O início do capítulo)

Clipsera ia e vinha muitas vezes. Desta vez, tinha ido ao Egito, já não sabe se físico ou mental ou, sequer, qual dos dois é verdadeiro, pois que o mundo é mental, disso estava certa. Clipsera tinha estado nas pirâmides, vira-se dentro de uma, que girava, girava, girava… foi, então, que conheceu um faraó de pedra que lhe disse coisas ao ouvido… não sabe o nome, o que lhe importa?

Deves escutar a Verdade, disse-lhe. E sempre que ouvia “Verdade”, escutava Pocahontas ou a árvore, que lhe diziam Ouve o coração e vais entender.

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Sobre a Filosofia que É (a que serve para alguma coisa)

Este texto foi extraído de um post do Facebook do Elas do Avesso, mas gostei tanto dele que achei por bem publicá-lo.

O discurso começa com uma conversa que tive no caminho para casa, logo após o funeral do meu avô. Uma miúda perguntava-me se o que eu fazia não era Filosofia misturada com Psicologia (quem me conhece sabe que eu não gostava nada de Psicologia… lia os autores e tudo me soava a uma tentativa de engavetar humanos em paredes de comportamento). E diz assim:

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Para o meu avô

Deixo-te com as rosas e que voes com as aves. Seria uma maneira eugeniana de te dizer adeus. Mas tu não o leste. Tu não leste nada e soubeste amar cada pedaço do que eu escrevi. Nunca ninguém me amou tanto ou amou de forma tão abnegada e desinteressada tudo o que criei. Nesta forma aqui, em que te choro agora, em que aperto as lágrimas e fico vermelha em frente ao teu caixão… Onde pessoas me ignoram, outras olham com admiração e falta de perdão também.

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De um corpo no mundo

Dói-me tudo como no início, aperta-me o peito e eu só não sei de onde isto vem. Tentei tantos antídotos… todos, eu acredito… mas nenhum resultou como o amor e as palavras. Ontem aconteceu-me amar sem palavras… amar, comover-me com o mundo sem que quisesse as palavras… foi como viver, pela primeira vez, acima delas, das palavras… sabia que não iam chegar para eu dizer o que sentia… e também não me apeteceu correr atrás delas… foi como… se correr, se intelectualizar isto, eu vou perder isto, então mais vale Viver do que ser inteligente, do que colocar rótulos e predicados bonitos nas coisas… acordei com o peito a doer… ainda dói… mas vivo bem com ele… não me quero desfazer dele… em vez disso, sirvo-me dele… pergunto-lhe o que quer que eu escreva… e ele escreve… o que quer que eu ouça, e ele fala… acho que há dores de milhares de vidas em mim, mas, pela primeira vez, não tenho medo… quero vivê-las, saber quem são, o que são em mim, por que vieram… Continue reading