Pode ser

(Os textos deixam de ser nossos quando estão ultrapassados. Quando a lição versada está apreendida. Quando fazem chorar sem dor. Quando fazem chorar, porque Mostram).

Canto a dor

A dor de não ser eu

E de me retirar do mundo

A dor de doer

E de fazer drama do mundo

A dor

Pode ser que saia assim

Na máquina de lavar da poesia

Da roda lavada da poesia

Pode ser que passe

Pode ser que esprema

Até não sair mais nada

Só amor

Só amor destilado

Na dor

Ele sai curado

Sai sempre

Pudesse ser tudo como é

Quando escrevo poesia

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Ao Sexo e A’ “O Banquete” – Uma aproximação ao que é Orgasmo

No seguimento do poema “A Poesia é Buraco”:

(Do “Orgasmo”; origem da palavra:

 

Do grego orgaein / orgasmos, que significa “inchar”, “intumescer” ou “plenitude”.

A palavra orgasmo se originou inicialmente a partir do idioma grego (ὀργασμός), que pode ser traduzido como “inchaço” ou “plenitude”.

De acordo com alguns etimologistas, o termo grego teria origem da raiz indo-europeia -werg, que pode ser traduzido como “trabalho”.

A partir da forma gráfica do latim moderno orgasmus, este termo teria aparecido na língua portuguesa pela primeira vez atribuído ao sentido de “clímax sexual”.

Atualmente, o significado comum atribuído a este termo está relacionado com o grau mais alto de satisfação sexual, quando atinge o clímax das sensações provocadas pelo sexo.

De: A Origem da Palavra

Vale a pena refletir sobre o que significa a palavra e sobre o grau de evolução… afinal, o que é orgasmo? Intumescer, plenitude… ocorrem apenas num momento ou durante? O que é durante? É o pleno a acontecer.

O que é um momento em que algo acontece? É sair do durante, é isolar o prazer, é assumir que há uma ponto maior do que do o que é agora… e pode isso acontecer a não ser no ponto de comparação das nossas mentes? Pode um ponto ser maior do que outro sem que a mente compare? E o que é a mente? Que julgador ou juízo fidedigno é a mente? Acaso não nos temos vindo todas durante mais tempo, mas a mente definiu que só o que é aquilo que ocorre naquele momento, que ela aglomera com pontos e semelhanças, é orgasmo? Acaso não seríamos todos mais felizes se o orgasmo fosse algo plenamente (e pleno) a acontecer no decorrer do tempo, agora, sem momento definido, parado ou segmentado? E o que é a vida da mente (vida vivida na mente) senão um orgasmo adiado? O momento da plenitude que virá que nunca vem como “deve ser”, “quanto deve ser” ou “quando deve ser”? Acaso é o sexo que está errado ou é a forma separada como o olhamos? É o orgasmo que custa a vir, arrancado, ou somos nós, é a nós, que nos custa a Vir? Vir à vida, vir ao agora, estar no Agora? Acaso o orgasmo é diferente da vida? E se não houvesse um ponto a acontecer na vida (algo futuro a atingir)? Não seria ela mais feliz?

Estar no agora no sexo é o mesmo que estar na vida no sexo ou no agora da vida. Não há separação de momentos… há vida e há só uma forma de estar nela – agora. O sexo é uma forma de lidar com isso, porque ele ensina-nos que O Que Liga e o Que está/é agora é perfeito. Todos sabemos o que acontece quando julgamos o que está a acontecer no momento/durante o sexo. É julgamento. Quantos cortes de tesão houve por julgamentos, quantas “fodas” inacabadas e, na vida, quantas vidas por acontecer? Porque se julga?

Gosto de sexo, de falar no sexo enquanto parábola, porque ele me ensina a  vida.

(O sexo enquanto metáfora explica tudo)

Sexo, segundo os teóricos, na origem da palavra significa “seccare”, que é “dividir”, “cortar”, separar entre macho e fêmea. Ora, isso pode ocorrer para sexo-género, mas não para o que realmente acontece, que é o que liga. Vale a pena ler sobre a visão do amor, e do próprio “sexo”, em “O Banquete”, de Platão. Podem ler uma resenha aqui ou a própria obra aqui.

Márcia Aires Augusto

Fonte: https://images.app.goo.gl/ab1g2pyPc8K1QWtVA

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Poesia come-me

Poesia é um infinito na minha barriga

E nas minhas pernas também

Poesia é luz

Poesia é dança

Poesia

Poesia faz coisas comigo que mais ninguém faz

Poesia anula-me o julgamento

Poesia come-me por dentro

Mete-me de quatro e pede-me bis

Com pureza

Com suavidade

Bate-me nas pernas

Balança-me as ancas

E diz-me “dá-me mais”

Com doçura

Com arme no peito

Poesia é luz

«Poesia

#ElasDoAvesso #PoesiaComeMe

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De uma leoa e de um leão

O sexo sempre me lembra que há amor aqui. Porque ele cessa quando eu não perdoo. Parece-me óbvio que sexo é amor.

Então, deixa queimar.

Quem deixa de amar é o ego. Quem magoa é o ego. Ardo por ti, pelos teus olhos verdes e por tudo o que é teu. Dói-me não seres meu como eu gostaria… útero de mim… útero de ti. Asas na barriga. Pudesse ser tudo como é, quando Te amo.

Meu amor,

«Pássaros na rua que voam

É para lá que eu vou

“És minha rainha. Esse amor voa, voa, voa.

Sou tua, só tua.

Leoa,

A sesta. Almada Negreiros

A Sesta. Almada Negreiros

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Amor de mim, moira de mim

21/06/19

O amor impulsiona-me, o amor queima-me. O medo é só um portal, uma forma de ir além… de sofrer as dores do parto… acaso há alguma mãe que não tenha tido medo?

Somos mães de nós mesmos… prontos a parir-nos dentro. Estou cheia de partos dentro de mim… rebento-me em poros. Estou de volta à custa da dor, que me levou ao medo, que me levou ao amor… é impossível vencer o medo sem a poção mágica que é o amor… desço nos fios que me levam, me descem ao cerne de mim… quem dera poder ser quem eu Eu Sou… pode ser que Ele me ouça… Continue reading

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A Sereia e o Tango

Dizem que devo divertir-me… sair. Que faço eu se sou feliz aqui?… rodeada de livros, a descobrir pintores – Sarah Afonso… Ó Deus meu, Sarah Afonso… escrevo como quem fala, mas… não sei… gosto de estar aqui… de manta, de computador no colo, rabo preso no sofá… não tenho nada para dizer… a não ser a constatação de que sou feliz… de que a energia transborda… e de que sim, a felicidade é possível… é pena, ou é o que é, que precise de cair na treva para me lembrar de quem sou… arte, literatura, pensamento livre… pergunto-me – eles sabem – como vou viver. A pergunta não é nova. As soluções Deles devem ser. As “minhas” seriam as mesmas… gosto tanto de livros… de ver TV… de documentários… e descobri que gosto de Tango… Oh… meu Deus, Tango! Ainda não dancei, mas só de ver na TV e ouvir a música, delicio-me… acho que me trará a liberdade de que preciso… a liberdade de ser mulher… de me lançar nos braços de um homem adulto, desconhecido e dançar, deixar-me guiar por ele… talvez aí aprenda um pouco mais – e com diversão, posso crer – sobre a submissão da vida… princípio feminino a ser fecundado… é assim que vejo o tango… uma mulher, os passos de uma mulher, pronta a ser fecundada pela vida, guiada, doce, leve, mas amada… não é uma submissão infligida… não é uma prisão… é um doce enledo[1] de canto sem música… ou de música sem canto, nos pés… ai… pudesse tudo ser como é no tango… lirismo absoluto de ser uma só com a peça masculina… é assim que vejo Deus… algo que me fecunda, me fertiliza… me guia… me adoça os pés e a mente… me liberta… canta para mim e dança… pega nos meus braços e me conduz. Às vezes, acho que tenho uma imagem demasiado sexista ou sexual ou mesmo sensual de Deus… não é isso… apesar de também ter encontrado com Deus o caráter sagrado do sexo… ou, pelo menos, o estar a procurar… mas não é por acaso, não pode ser…foram já duas teofanias – God Bless Theophanies, Please – e a sensação é a mesma… boooom de coisas… a mesma sensação de todos os relacionamentos – paternal, maternal, amor, infantil, terreno, carnal – num só. É uma verdadeira wow … para quê que eu preciso do mundo? É, basicamente, esperar, sentir e esperar novamente para vir ao mundo… já tentei, da segunda vez, viver como uma pessoa normal aquando de uma teofania e não dá… é simplesmente blooming my head. À parte disso, não sei viver… estou a recomeçar… gosto de TV, do canal 2, dos livros, da Poesia e do meu amor por Deus e pela vida. Da devoção, que muito rapidamente se torna beatice, e de Amor… adoro o Amor. Descobri-o na escuridão absoluta. E Ele ficou. Continue reading

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