As Palavras in “Poesia de Cordel”

As palavras? As palavras não me devem nada. Devo-lhes tudo, o mar e o renascimento. Devo-lhes eu, ser a ponte entre mim e Deus. As palavras. Não as sirvo, fundo – me nelas, elas agregam-me como parte do ser. Não sou poetisa, as palavras são-me. Um dia, morrerei. Elas ficarão e poderei viver nelas, nas palavras que me deixam ser. Nunca eu. Só elas, onde eu desapareço. Experiência de luz, de Deus, iluminação? Nas palavras. Desapareço para ser maior do que eu. Não há perda, há ganho ao desistir de mim, sem desistir de nada. Quando Elas chegam, já fui absorvida. Ou elas chegam, porque fui absorvida. Não fiz nada, só me deixei sofrer com honra. Sentir a dor, deixar que o buraco me mostre o meu caminho. E elas vêm, as palavras.

in “Poesia de Cordel”

#ElasDoAvesso

As Palavras in “Poesia de Cordel”

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Dar

Devemos sempre amar.

Devemos sempre partilhar o que é nosso (porque nada é, de facto, nosso), o que nos deram para partilhar.

É impossível dar sem que se inicie uma cadeia de dádiva. Impossível. É impossível amar sem ser amado de volta (amar desinteressadamente, o único Amor possível). O universo funciona numa circularidade ressonante perfeita. Continue reading

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