A Liberdade do Recomeço

«A recomeçar»

«A liberdade do recomeço»

Liberdade de questionamento… sempre foi esse o meu propósito, a minha premissa de vida, o único caminho possível… questionar Deus, mas questionar sobretudo o que me rodeia… o que é dito… e o questionamento mais erudito e mais radical de todos, aquele a que teimamos não ceder ou tememos entrar… o de nós próprios… das nossas crenças, do que fazemos, porque fazemos… até, e sobretudo, daquilo que é mais sagrado para nós… meditação, Deus, tempo de reza, tempo de meditação… isto, porque noto que fiquei cativa de mais um mandamento… no fundo, saí de um, o das empresas, do mundo corporativo, para me meter noutro… o da espiritualidade… no fundo, o problema nunca foram as empresas, a educação, a espiritualidade… afinal, “conhecemos” Deus e continuamos cativos… onde está a besta? Dentro de nós próprios… há uns anos discursava sobre o primeiro livro… continuo a dizer o primeiro sem ainda ter lançado mais nenhum, tudo bem… e dizia que os “presos não estão nas cadeias, estavam naquela sala e nas ruas, cativos das suas próprias prisões mentais, das ideias”… dizia aquilo segura de mim e voltaria a cair no calabouço… tudo bem, faz parte… faz parte a alegria da libertação… mais um bocadinho, pelo menos… questionar Jesus Cristo, questionar Buda, a doutrina, os livros e os mandamentos…(* – nota abaixo) Continue reading

O atrevimento de ser eu

Pedimos tanta coisa menos o atrevimento, o atrevimento de sermos. Pedi carros, valetes e viagens… E eu? Onde estava eu? No nada, enterrada ou talvez no Olimpo, à espera de ser chamada. Eu, fui sempre eu, prestes a chegar sem nunca ter chegado. Eu diluída no nada… Eu fundida com tudo. É o que acontece quando Sou. Sou nada, choro a cântaros e Ele. Sempre Ele. A minha história desaparece e sou Ele. A voz vem e sou Ele. Sempre Ele. Continue reading

Poesia I

A poesia tem essa coisa de me chamar para a Vida. Como um ritual em mim que se instala. Tem essa coisa de não me fazer desistir da vida, essa coisa de me fazer perseverar mesmo quando agora não há nada, só vazio e silêncio. Absoluto. Tem o dom de me transmutar… De tornar brado o meu calor infinito. O que não existia. Tem o dom de convocar personagens, ruas e personagens e outros tais que não sei que havia. Tem o dom de me fazer eu, mesmo quando eu não me conhecia. A poesia é dom, brado infantil de uma criança. Continue reading

Os livros não se procuram, encontram-se

Desfocada como a vida. A recomeçar como o tempo. Hoje, na livraria, outra vez “Os livros são como o Amor, não se procuram, encontram-se”. Na verdade, na primeira aceção foi mais rude… “os livros são como os homens, nao se procuram, encontram-se”. Há uns três anos, esta frase perseguia-me na Fnac e deu origem ao texto “As livrarias são como os bordéis”. O que me faz pensar que é mesmo verdade, não sobre os homens, mas sobre os livros e o Amor (porque não pode ser por acaso que uma frase se repita no mesmo local, três anos depois) . Quando vou à livraria desesperada para que um livro faça por mim o que não sei fazer, é uma desgraça. Uma pobreza, uma miséria. Mas quando me passeio lá como sendo “partilhadeira” do Amor, da alegria que transborda e os partilho com as estantes, lhes dou os meus olhos e o coração a tocar, todos os livros que querem vir comigo para casa me sorriem. E passamos noites e tardes de amor, uma e outra vez, sem parar. Se pudesse escolher? Ok… Se pudesse escolher, escolheria a poesia… A única mãe que bate tudo aqui na Terra, porque me chama ao Próprio Deus ou é o próprio Deus a chamar-me.

A Poesia, será sempre a poesia

Gosto de poesia, porque ela faz sorrir. Mesmo quando não percebemos nada ou o poema parece não dizer nada. A poesia tem esse dom. O dom de trazer a verdade além-mundo, sem que percebamos. Tem o dom de ir direta ao coração, de nos acordar, sacudir, chocalhar a alma. Com as palavras.

As palavras têm o dom de acordar. Há poesia mais nobre, mais célere do que uma oração… Porquê? Porque ela fala em Deus sem pedir nada. É palavra em-Deus a ser. Não tem propósito, é desinteressada. Sai, vem de dentro, de dentro do cosmos, não é do corpo. Traz revelação velada. A nós, resta-nos recebê-la, mesmo e sobretudo sem a entendermos com a mente. As melhores palavras são aquelas que fazem sorrir sem percebermos porquê que sorrimos. É para isso que serve a poesia, a mais nobre das ações em palavras. Pode curar qualquer mal e nós nem nos apercebemos. É graças à poesia que trazemos lições, códigos de vida que Deus nos passou sem sabermos que era Ele.

Comigo, começou bem cedo… Um dia quebrarei todas as pontes que ligam o meu ser, vivo e total, à agitação do mundo do irreal e calma subirei até às fontes. Como é que uma criança de 8 anos percebe isto? Como é que o impacto é o mesmo tenha eu 8 ou 29 anos? É Deus, é o intemporal que o vela, ao poema. Foi sempre assim… As palavras. É o intemporal em nós que torna a palavra arte, quer dizer poesia. A poesia não tem religião, não escolhe Deus, tão-pouco humanidade. Às vezes rebela-se-lhe. A poesia diz, o coração recebe. É por isso que o Poema é a arte nobre da palavra, é o dom que não envelhece. A poesia, a poesia vai salvar-me. A poesia, sempre a poesia.

#ElasDoAvesso

“George” por Maria Matono – Programa de 12º Ano de Português

Este texto é todo de uma aluna de Português… desafiamo-la a pesquisar autonomamente sobre os contos et voilà… Obrigada, Maria!

“George”- O papel e representação da mulher e respetiva evolução

 Começamos, neste conto, com uma mulher (mais tarde sabemos que tem 45 anos) adulta, madura e experiente, que se encontra com o seu “eu” passado, uma rapariga de 18 anos em toda a sua inocência. Mais tarde, já de regresso ao sítio de onde veio, depara-se com uma mulher idosa de 70 anos, no comboio, onde esta lhe conta as verdades que todos conhecemos sobre a velhice.

 Gi, George, Georgina, todas uma, diferentes das outras e, no entanto, iguais, as três fases da vida da personagem principal. É, no entanto, nas conversas e pensamentos destas mulheres que me pretendo focar.

  No primeiro encontro, entre Gi e George, temos os pensamentos da segunda, relativamente à sua juventude e às pessoas que a rodeavam. “Superiores na sua ignorância”, Gi vem de uma família integrada na classe média portuguesa em meados do século xx, moradores de uma vila, tendo, por isso, os valores morais, não só da época, mas também da localização em que se encontrava. Valores conservadores, de ignorância a nível intelectual, de trabalho e de família. O papel da mulher, nesta sociedade, é, portanto, o de mãe e de esposa devotada, sem se expor, trabalhar para a família, casar com o namorado de anos e anos, viver uma vida pacata e sossegada, sem escândalos, sem nunca sair da terra onde nasceu. Continue reading

Deus é Engenheiro

(Este texto foi escrito originalmente no grupo “notícias do Bem”, mas apaguei-o lá, porque achei que o espaço não era para isso, embora tenha sido o espaço que acolheu este post. Ia só falar sobre a inclusão de uma doença na caracterização de uma boneca e acabou por sair isto).

Não é sobre aceitarmos a máscara de que isto se trata, mas, aos poucos, isto vai ficando mais acolhedor, mais inclusivo. Mais como Alto, mais “está tudo bem”, independentemente do que isto parece ou do que eu penso sobre o que acontece. No fim, ninguém quer saber do que pensamos. O melhor, o melhor é acolher todo e qualquer ser humano ou, melhor ainda, qualquer forma de vida. Tenho-me apercebido de que “sei” muito e de que não sei fazer nada ou muito pouco. Mas o não saber conduziu-me até aqui. Esvaziou-me. É no nada, é na doença, na asfixia, que gratidão, amor… Deus… deixam de ser coisas nos livros. É também aí que deitamos muito lodo fora, palavras estrangeiras e coisas que já não nos representam. Mesmo que isso seja “ego”. Não querer ter ego ainda é ego. Isto trata-se de aceitar a merda como ela está e amá-la por isso. Porque há algo subtil na dor, que religa, que dá sentido, que une. Percebes também que nunca te vais curar, porque, ao que parece, a tua doença não existe, é fictícia. Mas tudo bem, tu sente-la e dói para c. Mas, ainda assim, é uma dor diferente depois de teres “estudado” tanto, meditado tanto e, acima de tudo, teres encontrado Deus – encontramo-lo no desespero ou na beleza de uma paisagem, no amor a outro ser… Normalmente, só ligamos no primeiro caso. Ele nem se dá conta, Ele está sempre lá, aqui dentro, quer tu O reconheças, quer não. Mas a vida ganha muito mais cor, aliás, ganha vida. As tretas da autoajuda, do curso, do exagero da meditação, da iluminação e de tudo, tudo o que é demais é erro – e eu paguei bem caro por isso -, são isso… Tretas para serem levadas a sério. Vão esvaziar-te. Se fizeres bem o serviço, que é deixares-te levar pelo ego a querer iluminar-se ou a querer outra merda qualquer que tu valorizes, vão levar-te à loucura. Vão levar-te à loucura, porque tu “ainda queres”. Ainda queres. Ainda não está bom. A tua vida vai tornar-se num pequeno inferno. Ninguém nota, mas tu estás na merda. E trocavas tudo por um pensamento, uma decisão real – “eu não quero nada desta merda, eu estou bem como estou” . (Nesta altura, nem tens alma para dizer palavrões. O cérebro está demasiado anestesiado de tanta meditação e de tanta reza. Só falta levitares de tão puro que tu estás. Só falta uma coisa : Vida.).

Deixei tudo, até o próprio Deus, ou, pelo menos, o que eu achava que Ele era, uma tropa de mandamentos… Encontrei-O lá, na praia, a dizer que se Ele era aquele inferno, meditação, reza, desistir do mundo, de comer, do sexo e de tudo, que eu não O queria; afinal, eu gostava tanto do mundo e não sabia. Afinal, eu gostava tanto de pessoas e não sabia. Afinal, era tão bom estar viva e eu não sabia. Foi aí que o encontrei, num silêncio qualquer que fala, que dizia, pulsava, no coração e na vida… Filha, eu nunca te pedi nada. Eu só quis que fosses feliz na cagada que arranjaste. E foi tão bom! A autoajuda e toda a busca vão destruir-te, porque é o teu ego que está em busca. No fim (qual Einstein – as grandes descobertas ocorrem quando o investigador atira a toalha), percebes que não há nada para buscar. Está tudo aqui. O cliché todo. A cena é que não é mais um cliché. O dinheiro deixou de te meter medo… E essas coisas todas do mundo. Há só uma coisa que ainda te mete medo, a tua própria cabeça. Ela ainda não está curada e, às vezes, lá estás tu nas merdas dela. Mas, agora tens escolha… Uma escolha que te liberta, o agora.
Nunca vou deixar de o investigar, ao ego, dizem que não vale a pena… Mas eu não consigo não cair nas tretas dele se não perceber porquê que sempre que fico com medo, como um camião de bolachas. Ele é um tipo muito desequilibrado. O ego. Tu não és o ego, mas tens de o conhecer, porque, se não o conheces, do nada ele está a liderar o teu sonho; o que te fazia feliz ele tem o dom de tornar na tua prisão… O trabalho que tu amas, ele torna-o numa linha de montagem e ou numa forma de ganhares dinheiro. Tudo bem com isso, mas não é esse o ponto. Tudo para te dizer isto: está tudo bem até se não fizeres nada, porque tu És antes de fazer. A cena é que se não fazes – mas antes e durante sê o que fazes -, vais adoecer, porque nem Deus soube estar quieto, quando Te criou e está sempre a criar. Quando amas, é Ele. Quando ajudas alguém, é Ele. A cena é não fazer só porque não sabes estar quieto, porque isso também te vai adoecer. Solução: Agora. Agradecer. Desejar o bem e acolher o “outro” como parte da família. Somos Um. No fim, é a unidade que te vai salvar. O resto são Tretas. É quando não queres nada que é do outro, que ficas feliz por ele, que não colocas o teu desejo pequenino à frente do do outro. Por exemplo, ir sair com alguém só porque não sabes estar sozinho. Achas que tens o direito de ocupar o tempo do outro, quando o ponto não é estar com ele, mas não estares sozinho? Não, não tens. Deus não é só uma experiência de morte – também É -, mas é mais, e sobretudo, esvaziares-te de ti para não fazeres mal ao outro. Para que Ele possa levar o bem ao outro. É quando o mundo deixa de ser só uma expressão do que tu achas que queres. É quando confias que da maneira Dele é que está bem, porque, na verdade, não sabias, nem soubeste fazer melhor. Ele torna a nossa cagada em três atos em Amor. Se isso não é alquimia, eu não sei o que é. DEUS É o maior engenheiro. Tudo procede Dele e o que não procede foi alta cagada da nossa mente que, se tu quiseres, Ele vai reinterpretar.

Eu falo de Deus, porque sem Ele não conseguiria. Encontras Deus, quando não há solução, quando “Foda-se. Fodi-me toda e agora? “. Agora rezaste no desespero, porque percebeste que não há meditação nenhuma nem livro que te salve. Só Ele. E a tua dor passa e tu não deste por nada. Curaste uma depressão e ninguém deu por nada. Nem tu (!). Do nada, estás a pensar para a tua mente, que é como falas com ela, “quero lá saber se isto é real, quero é ser feliz”. Aceitas a dor como parte do plano e usa-la para te ligares a todos os seres. Pedes que a cada pontada de dor no teu coração, 1000 bênçãos sejam dadas aos teus irmãos, pedes felicidade para os pássaros e para todas as formas de vida, pedes desculpa quando vais contra um candeeiro ou quando és bruto com alguma coisa, porque sabes que somos Um, ninguém to mostrou, à custa de tanta pancada, meditação e reza, subitamente, eu chamo Deus ao súbito, estás lá, e o ego é engolido nesses momentos. Nesses momentos, ele morre no próprio veneno. Ele queria iluminar-se e tornou-se invisível para ti. Depois ele volta com as merdas dele, mas já não tem o poder que tinha sobre ti. Entregas, rezas, pedes a Deus e subitamente ele, que é a causa da dor, desaparece. Falta-me correr muito, mas ainda assim, faz parte do jogo vir aqui contar. Bring it on. Não, não são vocês que precisam de saber, é o nosso vínculo que precisa de ser recordado. É isso que faço, quando partilho. Curo-me de cada vez que o nosso coração se faz Um. Calhou – me de ser fácil com as palavras, mas é só isso… Elas são veículo para o nosso amor que existe. Love. Nós

Nota: engenheiro, para mim, é aquele que arranja solução para aquilo que a humanidade considera problema na prática. Não está com merdas nem é político. Ele resolve o que nitidamente precisa de ser resolvido. By the way, eu digo que não, mas adoro engenheiros.

Untitled

Há uma conspiração do universo para nos salvar… há uma verdade dentro pronta para nos salvar. Há uma valsa qualquer, um rastro de novo… vem de lá, do Antigo, mas é novo, novo como agora… fresco, sempre o mesmo e sempre a mudar. É o rasgo que cura, que une tudo… o que muda e o que não muda. Dizer expande, atravessa, rasga e não chega. Talvez uma música… tudo o que manifesta subtrai… mas traz-nos (suspensão de pensamento) Continue reading