Opostos não. Equilíbrio

Opostos I

Os opostos atraem-se porque a atração transcende o mundo, vem de outros planos, torna uno o que este mundo separaria para sempre pelas suas leis. Olhamos em direções cruzadas, com o mesmo ponto de nascimento e de interceção. Como uma árvore. O mesmo tronco com dois galhos diferentes. A mesma base, a mesma raiz, para todas as árvores. É de lá que vimos e de onde nasce a nossa união. Opostos atraem-se, até porque estão na mesma linha. Precisam de vir até ao meio para se encontrarem.

Opostos II

Opostos não são assim tão diferentes. Partilham a mesma minha. Vão para o meio. É lá que une. É lá que está o coração. Onde todas as conciliações são possíveis.

<<Equilíbrio

#ElasDoAvesso

Quero lá saber do correto

Três anos a meditar como uma louca, a anestesiar o ego e a mente… Uma voz não para de perguntar “are you cheating on me”?

Quisemos meditar para estar no momento, mas tudo o que conseguimos com medalha e afinco foi sair do corpo e rejeitar o que não era bonito.

Reconheço e honro o que aprendi. Estou muito melhor pessoa, mas é hora de deitar abaixo velhas estruturas. O ginásio definiu um six-pack, mas nem por isso passo lá a vida. Quis um six-pack na mente. É esse o caminho? Engavetar a mente numa perfeição que não lhe é natural nem útil? Elegância demais oblitera. Perfeição a mais executa-me. É assim que me sinto, executada na mente. Às vezes, chego-me e toco-me a Mim. Sou bonita e infinitamente perfeita. Sou bondosa e sou incrível, quando Sou. Mas não sou isso o tempo todo, ou não tenho consciência de que sou Isso a tempo inteiro. No resto do tempo executo-me, mutilo a mente, assassino-me vezes sem conta.

Perdi-me de mim para descobrir quem sou, descobrir que estava tudo bem com aquela criança que brincava na terra e ria. É para lá que quero ir. No tempo em que um caracol era só um caracol. No tempo em que não havia xamanismo nem significados ocultos. A vida era o que se apresentava e o que eu sentia. Matávamos sem querer um caracol com os pés e fazíamos-lhe uma cerimónia fúnebre com ervas da eira. Era sentido e libertador. Ninguém sentia culpa. A vida era o que era e honrávamo-la por isso. Não meditávamos nem rezávamos muito. Éramos simplesmente normais. Tínhamos medo, chorávamos mas esquecíamos a dor, atirávamo-nos ao chão e perdoávamo-nos por isso, além do “balázio” que furava a barriga. Era simplesmente Eu e não perguntava quem eu era… Ok, às vezes, no espelho perguntava de onde vinha, mas, no resto do tempo, era simples como o libertar de um rouxinol… Tinha sono, comia demais, fantasiava sobre coito, lia exageradamente, escrevia desalmadamente e perdi-me. 15 anos (ir)remediavelmente perdida. Há três anos dizia “que se lixe o mundo”, hoje digo “que se lixe a minha mente” e pego nas chaves, de volta.

Às vezes, perco-me, mas tudo bem com isso. Que seca meditar todos os dias, que agonia rezar até o coração apertar… O corpo é feito para mexer, alma latente a querer mover. Eu canto a libertação, quero lá saber do correto.

Sexo e útero, por favor

Aprendi a amar a liberdade ladeada, soçobrada por grades. Ladeei o tesão, disse-lhe que ele não podia, mas, o pior de tudo, ladeei-me a mim. Enfiei-me numa gaiola, promovi-me a brilho sem penas e fiquei. Fechei-me por dentro e achei que o mundo em grades era normal. Fechei-me, fundei-me no meu próprio fanatismo para me esquecer de mim. Foi na perda de mim, ou na iminência da perda, que me encontrei, que não permiti mais à minha cabeça que me dissesse o que podia e não podia fazer. Conheci a dura repressão da sociedade na minha própria cabeça, agora não havia ninguém para culpar. Só eu e nem a mim. Perdoei-me nas cinzas, porque era só eu e ela. Vi-a. A cópia de mim, demónio de mim. Ela ainda fala, mas eu não a ouço ou tento não ouvir. O coração aperta, fundamento-me, autorizo-me em cartas, desisto de mim porque elas dizem que não. Foi na dura repressão de mim que encontrei a liberdade, é no oposto que toco a coragem de experimentar o inverso, o avesso de mim… Talvez exagere, mas quando morrer não poderei dizer que não vivi ou que morei estranha de mim. Conheço bem os meus fantasmas e as minhas fadas eruditas. Conheço “o terror e a claridade” (Sophia, avó-poesia). Não o nego nem a venero. Caso-os como uma pilha. Ser mulher e ter um buraco ensinou-me a ser fecundada pelo que não sei, pelo e o que não conheço, eterno mistério de me abrir. Vivo em eterno sexo com a Vida e espero que ela me coma toda, agora, eu aqui, submissa e submersa para que ela mande. Abrirei molhada ao que não sei, sempre que ela venha. Fecharei, respeitarei os meus limites, sempre que ela me seque de mim. Sexo, eterno amigo, professor incompreendido, moira de mim, ai de mim se não me conheço.

#ElasDoAvesso

“Deus tem logos?”

Logos – razão, discurso, em Grego.

 

Hesitei, mas não resisti… aqui fica uma proposta de domingo à tarde, bem #ElasDoAvesso para se descansar na Filosofia… a Filosofia é uma girândola a brincar… não tem nada de sério, nem de grave aqui. Sejam felizes.

 

Retirado de um post do grupo Avesso e (Des)educação: Proposta para domingo de Páscoa. Gostava mesmo que vissem…coloca em análise os nossos valores, os catecismos todos a que fomos sujeitos – filosóficos, religiosos ou, pior ainda, os nossos, os mentais, os que navegam na nossa mente, nos obliteram e nos fingem -, a criação de um ideal a que temos de corresponder em contraponto com a perfeição de quem somos agora. Não há certo nem errado, há frequência, há amor nas escolhas que tomo. Isso é o que confere Verdade, não o que faço. É quem sou, como sou, que confere Verdade ou, como fala a poetisa e professora, Vida. É uma proposta… substituir Verdade, esse conceito que criamos absoluto, por Vida. Não considero que o transitório seja o Bem, ou a Verdade, como afirma… mas considero, porque experimentei, que são os olhos do imutável sobre o transitório que casam a felicidade que o ser humano precisa… o nobre e leve casamento entre a sua natureza transitória e a sua Verdade absoluta, o Bem, Deus, o que lhe queiramos chamar. Ainda assim, o Bem não cabe nos livros, é apontado… mas, se identificado com o Bem, gera doença. O semáforo aponta parar, mas não significa parar… é um instrumento. Que não nos deixemos dominar pelo instrumento e que sejamos elevados à categoria de deuses encobertos que usam os instrumentos para os elevar à categoria do Bem. Sejam felizes, por favor. <3 Amo-Nos <3 Até já!

 

Uma janela encoberta

Não há verdade. Há olhos para se ver. Há céu. E isso é independente do que acontece. Não há certo, há olhos para ver. Um corpo, a profundidade de uns olhos ou das repas que abrem uma testa. Há o fluxo de vida a ser. Um top e um corpo moreno coroado pelo cabelo roxo. Há vida. É a única coisa que existe. A incondicionalidade do amor, bicondicional da equivalência absoluta entre mim e Deus(1). Deus é uma criança encoberta, é uma janela no ferro do autocarro. É a inspiração onde não havia nada. Nunca houve e ainda assim há tudo, graças aos meus olhos. Antes escrevia mas não sabia. Demorei três anos a saber o que escrevia. Escrever é imediato, é verdade oferecida. Não há porque não confiar.

Está tudo “mal” (2) e está tudo perfeito neste autocarro onde tudo cheira mal e se fala de Goucha.

(1) Em Filosofia – Lógica -, dizemos que “chove se e só se cai água das nuvens”. Quer dizer que, se invertermos, a condicionalidade é a mesma, por isso “bicondicional”. Ora, se digo “cai água das nuvens se e só se chove” é igual a dizer a primeira. Ou “a camisola fica molhada se e só se se molha” é igual a dizer “a camisola molha-se se e só se fica molhada”. Estamos a usar enunciados óbvios para representar o bicondicional equivalente de Deus, eu sou (amor) se e só se estou em Deus = Eu estou em Deus se e só se sou (amor). E esse é incondicional, independentemente da situação, desde que eu esteja (se e só se) identificada com a Fonte, que para mim é Deus (Amor, Criador do Universo, Criação…)

(2) para o eu-indivíduo

#ElasDoAvesso

#MadreFilosofia

Dedicado

Dedicado a todos aqueles que enfrentaram o final de um retiro e não sabem para onde se virar nem como Viver.

Dedicado a todos aqueles que não aguentaram mais meditar oito horas por dia, voltaram a ter sexo e a masturbar-se.

Dedicado a todos os que comeram carne e agradeceram solenemente pela vida que se transformava e se cingia ao Um, no Um.

(Comer é comer-te. Não há separação. Mas acredito no valor vida. E não me parece que a minha vida valha mais do que a dos animais. Por isso , guardar o bom de não comer carne).

Dedicado a todos os seres humanos que voltaram a ser homens e mulheres, que aceitaram as suas manias e imperfeições, que acreditaram que é possível serem perfeitos mesmo que cheios de defeitos, mesmo que a primeira coisa do dia já não seja a meditação, ou que esta tenha sido substituída pela única coisa que vale neste mundo, Deus.

Dedicado aos seres humanos que desistiram de ser os iluminados das escrituras, que aceitaram as suas feridas e que, ainda assim, estão dispostos a amar os “outros” e a dividir o pão.

Dedicado às pessoas normais que enfrentam o medo de recomeçar. Vai correr tudo bem. Eles continuam aqui, mesmo que já não medites uma hora nem pratiques celibato. Está tudo bem. Confia.

#ElasDoAvesso #AfterRetiro

Veja “Escolhas e Liberdade #ConversasDoAvesso VI com a Sara de Macau” no YouTube

Mais um grande #ConversasDoAvesso com a @Sara Leao, desta vez sobre escolhas em liberdade… Quantas vezes já deixamos de fazer o que queremos por ouvirmos as opiniões pouco favoráveis ao que fazemos? Quem seríamos sem o condicionamento ou, pelo menos, sem fazermos, porque gostam ou como seria a nossa vida se não tivéssemos deixado de fazer determinada coisa, porque em algum momento acreditamos que não éramos suficientemente bons, avaliando esse grau de suficiência pelo sucesso atribuído pelo “fora”? E isto não é a mentalidade que inspira a nossa educação? “Sou muito bom a matemática”… Porquê? “porque tiro ótimas notas”. Ou seja, deixamos que seja o resultado a dizer-nos em que é que somos bons. E isso é real? Por exemplo… #históriaDaMinhaVida: descobri que era “boa” a filosofia, porque tirei uma grande nota no primeiro teste sem nunca ter estudado. Mas a escrita esteve em mim desde sempre, sendo que, comparativamente, pela métrica do mundo, tenho muito mais sucesso na Filosofia e ensino do que na escrita. Pois bem… A Filosofia, enquanto formal, é passível de ser atirada pela janela… É uma ferramenta. A escrita cura-me. Não posso deitá-la fora. Pela lógica do mundo, deitaria a segunda ao “lixo”… Resguardando a primeira, porque essa paga contas. Ora, a primeira cansa-me, é o meu utensílio e, como tal, cansa. A segunda, escrita, une tudo, Filosofia, letras, ensino, etc… E apesar de ser a menos bem sucedida sob o ponto de vista do mundo, se deixo de escrever, fico doente. Então, de onde vem a verdade? Da opinião ou do que eu sinto? Eu sei que já sabemos que não queremos saber das opiniões dos outros (ironic mode), mas quantos de nós estamos nos nossos empregos, porque é suposto, escolhemos determinado curso, porque era suposto, estamos com determinado marido ou certa mulher, porque é suposto? A temática não é nova, mas urge perguntar : quem manda na nossa vida? Pela minha parte, vejo que cada vez mais adolescentes entram no modo “agradar” ou no “porque tem de ser”, situação que arrastam na vida…o curso, porque tem de ser, o amor e o sexo, a relação, o casamento… tudo porque tem de ser… a vida, porque tem de ser. Ora, parece-nos que a vida é vida sem razão de ser. É porque é. E cabe-nos, portanto, a nós Ser. Sermos exatamente aquilo que somos, mesmo que o mundo não aplauda ou não nos pague por isso. É aí que vamos fazer a descoberta do incondicional. É onde eu dou incondicionalmente, que eu descubro quem eu sou. Dou escrita e dou ensino/orientação independentemente do que recebo, quer seja paga, quer não. Não estou a dizer para me tomarem como modelo, é só para transportarem o raciocínio para a vossa vida. Onde sou incondicional? Onde dou sem receber nada? (não conta dar amor aos filhos… Conta, mas n é só isso… É algo independente de ter filhos ou não ter). Onde sou incondicional, a fazer o quê (gostem ou não gostem, receba ou não receba)?Mais um grande #ConversasDoAvesso com a @Sara Leao, desta vez sobre escolhas em liberdade… Quantas vezes já deixamos de fazer o que queremos por ouvirmos as opiniões pouco favoráveis ao que fazemos? Quem seríamos sem o condicionamento ou, pelo menos, sem fazermos, porque gostam ou como seria a nossa vida se não tivéssemos deixado de fazer determinada coisa, porque em algum momento acreditamos que não éramos suficientemente bons, avaliando esse grau de suficiência pelo sucesso atribuído pelo “fora”? E isto não é a mentalidade que inspira a nossa educação? “Sou muito bom a matemática”… Porquê? “porque tiro ótimas notas”. Ou seja, deixamos que seja o resultado a dizer-nos em que é que somos bons. E isso é real? Por exemplo… #históriaDaMinhaVida: descobri que era “boa” a filosofia, porque tirei uma grande nota no primeiro teste sem nunca ter estudado. Mas a escrita esteve em mim desde sempre, sendo que, comparativamente, pela métrica do mundo, tenho muito mais sucesso na Filosofia e ensino do que na escrita. Pois bem… A Filosofia, enquanto formal, é passível de ser atirada pela janela… É uma ferramenta. A escrita cura-me. Não posso deitá-la fora. Pela lógica do mundo, deitaria a segunda ao “lixo”… Resguardando a primeira, porque essa paga contas. Ora, a primeira cansa-me, é o meu utensílio e, como tal, cansa. A segunda, escrita, une tudo, Filosofia, letras, ensino, etc… E apesar de ser a menos bem sucedida sob o ponto de vista do mundo, se deixo de escrever, fico doente. Então, de onde vem a verdade? Da opinião ou do que eu sinto? Eu sei que já sabemos que não queremos saber das opiniões dos outros (ironic mode), mas quantos de nós estamos nos nossos empregos, porque é suposto, escolhemos determinado curso, porque era suposto, estamos com determinado marido ou certa mulher, porque é suposto? A temática não é nova, mas urge perguntar : quem manda na nossa vida? Pela minha parte, vejo que cada vez mais adolescentes entram no modo “agradar” ou no “porque tem de ser”, situação que arrastam na vida…o curso, porque tem de ser, o amor e o sexo, a relação, o casamento… tudo porque tem de ser… a vida, porque tem de ser. Ora, parece-nos que a vida é vida sem razão de ser. É porque é. E cabe-nos, portanto, a nós Ser. Sermos exatamente aquilo que somos, mesmo que o mundo não aplauda ou não nos pague por isso. É aí que vamos fazer a descoberta do incondicional. É onde eu dou incondicionalmente, que eu descubro quem eu sou. Dou escrita e dou ensino/orientação independentemente do que recebo, quer seja paga, quer não. Não estou a dizer para me tomarem como modelo, é só para transportarem o raciocínio para a vossa vida. Onde sou incondicional? Onde dou sem receber nada? (não conta dar amor aos filhos… Conta, mas n é só isso… É algo independente de ter filhos ou não ter). Onde sou incondicional, a fazer o quê (gostem ou não gostem, receba ou não receba)?