Ricardo Reis – o indiferente ou o injustiçado?

Um contador de estórias em ode, um anunciador da Verdade sem império, um verdadeiro latinizante, porque a Verdade pede glória e a glória exige eruditos, não que a erudição lhe chegue, à Verdade, mas cabe-nos a nós, humanos e humildes ofícios da Verdade, cantá-la com nobreza no tom estoicista a que ela obriga. A Verdade passou ao lado, mas nem por isso deixou de lá estar. Este é Reis, mais a descoberto… mais desnudo, talvez, do que ele gostaria…mas os tempos pedem esforços e, porque em guerra, mesmo que jogada, ficcionada na mente do grande Jogador, cabe-nos a nós, humildes avatares, denunciá-la, quando ela chega do comando aos ouvidos que é, como quem diz, do inteligível noético ao “comboio de corda que se chama o coração”, o único canal puro por onde a Verdade, mesmo neste mundo de ilusão e reflexo, consegue trespassar.

Áudio, leitura, interpretação e aula por Márcia Aires Augusto

 

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