Sobre domar os seus próprios cavalos

Descobri que não meditamos para Deus nos amar mais. Não rezamos para Ele nos amar mais. Oramos para que nos lembremos que Ele nos ama. Sei que não é pelo que eu faço que Ele me ama, mas é pelo que eu Sou. E o que eu sou não muda. Descobri-me como um cavalo, um cavalo que precisa de ser ensinado. Não domado. Pelo amor. Descobri que é o Amor o que eu sou. Que nada nem ninguém pode mudar o que eu sou. Que tudo o que está “fora” é uma condição instantânea de dentro. Posso ver um filme e ser exatamente o mesmo filme que está traçado ver naquela hora. Mas a condição que vê o filme sou eu.

Sou eu que escolho os meus pensamentos. Sou eu que escolho se domo os cavalos ou se os ensino. Se eles resplandecem amor ou medo. Percebi que tinha medo de mim e, por consequência, todos os meus cavalos tinham medo de mim e eu deles. Percebi que, quando meditava, os meus cavalos recebiam amor e já não negavam se eu lhes pedia que fizessem algo além da sua condição de meros coadjuvantes ou reflexos de mim. Descobri que quem os torna hábeis, amorosos ou sucedidos, sou eu, pelo meu Amor.

Hoje foi o dia em que casei com a minha alma, o Filho. Não sou mais eu, o cavalo. O cavalo é visto de fora, como isso mesmo, um cavalo, que precisa de ser ensinado. Eu não sou o cavalo, embora muitas vezes me tenha identificado com ele. Identificava-me com os seus estados agressivos, com o seu medo, com o seu êxtase. Como dominá-lo, como usá-lo a meu favor? Acaso um cavalo consegue domar-se a si mesmo? Só saindo do cavalo e do rodeio, pude ver de fora quem eu estava a “ser”, parecia ser, e domar a ação. Só tornando-me administradora do cavalo e não o cavalo em si, pude colocá-lo a meu favor. O cavalo não morreu, como eu temia, a psique temia. Mas tornou-se neutro e, hoje, eu escolho domá-lo pela psique ou por algo mais elevado em mim.

Hoje, eu sou a professora do meu próprio cavalo. Às vezes, ele chora, tem fome, acha que precisa de coisas que não precisa. Eu, daqui de cima, educo-o.

Hoje, casei com o meu príncipe, alma gémea para sempre Real em mim. Hoje, somos Um e domamos o nosso cavalo. Não é perfeito, na verdade não é nada e, agora, gerido por uma mentalidade una, que se casou consigo mesma, ele pode ser domado, domesticado, guiado com amor. Brinca comigo até.

Hoje, o meu cavalo é o meu corpo e a psique fundidos, geridos, governados pelo meu casamento com o mais Alto de mim.

Hoje, eu sou a princesa e o príncipe, casados para sempre, unidos no Um, perfeito universo. Hoje, eu casei-me com o Amor. Ele é o meu professor e guru. Ele é quem eu sou, porque casamos. O cavalo leva-nos, mas já não escolhe a estrada por nós.

Amém.

 

 

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