Adeus

Hoje é de mim que me despeço

só de mim

é a mim que digo adeus

a este ser que diz que não posso

que é ego querer ser

mesmo que seja

antes um ego livre

que um ego enrugado

não posso mais

não posso mais continuar com as desinências dentro do meu corpo

os meus braços não aguentam mais

não posso

tenho um coração que se contorce na boca

que chora as lágrimas para dentro

da saliva

e dos olhos todos

não posso

hoje, sou livre de mim

posso ser escrava

mas antes escrava consentida

escrava que sabe que tem correntes

do que escrava que luta contra as correntes

e não as tira Continue reading

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A Sereia e o Tango

Dizem que devo divertir-me… sair. Que faço eu se sou feliz aqui?… rodeada de livros, a descobrir pintores – Sarah Afonso… Ó Deus meu, Sarah Afonso… escrevo como quem fala, mas… não sei… gosto de estar aqui… de manta, de computador no colo, rabo preso no sofá… não tenho nada para dizer… a não ser a constatação de que sou feliz… de que a energia transborda… e de que sim, a felicidade é possível… é pena, ou é o que é, que precise de cair na treva para me lembrar de quem sou… arte, literatura, pensamento livre… pergunto-me – eles sabem – como vou viver. A pergunta não é nova. As soluções Deles devem ser. As “minhas” seriam as mesmas… gosto tanto de livros… de ver TV… de documentários… e descobri que gosto de Tango… Oh… meu Deus, Tango! Ainda não dancei, mas só de ver na TV e ouvir a música, delicio-me… acho que me trará a liberdade de que preciso… a liberdade de ser mulher… de me lançar nos braços de um homem adulto, desconhecido e dançar, deixar-me guiar por ele… talvez aí aprenda um pouco mais – e com diversão, posso crer – sobre a submissão da vida… princípio feminino a ser fecundado… é assim que vejo o tango… uma mulher, os passos de uma mulher, pronta a ser fecundada pela vida, guiada, doce, leve, mas amada… não é uma submissão infligida… não é uma prisão… é um doce enledo[1] de canto sem música… ou de música sem canto, nos pés… ai… pudesse tudo ser como é no tango… lirismo absoluto de ser uma só com a peça masculina… é assim que vejo Deus… algo que me fecunda, me fertiliza… me guia… me adoça os pés e a mente… me liberta… canta para mim e dança… pega nos meus braços e me conduz. Às vezes, acho que tenho uma imagem demasiado sexista ou sexual ou mesmo sensual de Deus… não é isso… apesar de também ter encontrado com Deus o caráter sagrado do sexo… ou, pelo menos, o estar a procurar… mas não é por acaso, não pode ser…foram já duas teofanias – God Bless Theophanies, Please – e a sensação é a mesma… boooom de coisas… a mesma sensação de todos os relacionamentos – paternal, maternal, amor, infantil, terreno, carnal – num só. É uma verdadeira wow … para quê que eu preciso do mundo? É, basicamente, esperar, sentir e esperar novamente para vir ao mundo… já tentei, da segunda vez, viver como uma pessoa normal aquando de uma teofania e não dá… é simplesmente blooming my head. À parte disso, não sei viver… estou a recomeçar… gosto de TV, do canal 2, dos livros, da Poesia e do meu amor por Deus e pela vida. Da devoção, que muito rapidamente se torna beatice, e de Amor… adoro o Amor. Descobri-o na escuridão absoluta. E Ele ficou. Continue reading

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Untitled

Há uma conspiração do universo para nos salvar… há uma verdade dentro pronta para nos salvar. Há uma valsa qualquer, um rastro de novo… vem de lá, do Antigo, mas é novo, novo como agora… fresco, sempre o mesmo e sempre a mudar. É o rasgo que cura, que une tudo… o que muda e o que não muda. Dizer expande, atravessa, rasga e não chega. Talvez uma música… tudo o que manifesta subtrai… mas traz-nos (suspensão de pensamento) Continue reading

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Eu queria uma escola amarela

Uma causa grande é aquela em que o teu benefício só acontece por fazeres algo que ajude os outros, deixares algo que traz benefício aos outros, sem tu mesmo te beneficiares com isso… Nem a realização de os veres felizes, é um fazer desapegado. A alma pede que faças e no ato de o fazer, sonhar, a realização ocorre. Com ou sem resultados. O foco é deixar o mundo melhor para os outros sem que ganhes nada com isso. Continue reading

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Até quando, Filho de Deus?

Criámos produtivos ao invés de seres humanos. Quanto menos produtiva sou, mais producente me apaixono. Criar a partir do centro que se chama coração. Chega de fórmulas, chega de divisões. Chega de melhores, de doutores e de engenheiros, porque isso só dividiu o Homem. O Mundo e feito e parece imortalizar-se nos feitos que vêm do uno, do que não deseja para si mesmo, mas antes cria a favor e serve o todo que está consigo mesmo. Sem o Todo eu nada seria. Eu só posso existir se eu considero que o Todo, que a humanidade toda existe dentro de mim. Se eu acho que ela vive separada de mim, serei transeunte. Poderei saber que estou a sonhar, mas em nenhum momento terei a síntese do Uno, a síntese do Amor. Sem vocês, eu nada seria. Precisamente porque não há eu e vocês, há Um. Há um interesse Único que favorece a Todos. Enquanto não me enamoro Dele, nada crio, porque nada sou, porque apenas produtiva. Vamos deixar as produções de lado e aclamar o querido Deus vivo que está em todos, que e o Mesmo em todos. Sem vocês eu nada seria. Continue reading

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Ricardo Reis – o indiferente ou o injustiçado?

Um contador de estórias em ode, um anunciador da Verdade sem império, um verdadeiro latinizante, porque a Verdade pede glória e a glória exige eruditos, não que a erudição lhe chegue, à Verdade, mas cabe-nos a nós, humanos e humildes ofícios da Verdade, cantá-la com nobreza no tom estoicista a que ela obriga. A Verdade passou ao lado, mas nem por isso deixou de lá estar. Este é Reis, mais a descoberto… mais desnudo, talvez, do que ele gostaria… Continue reading

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Ó Deus! Do dogmatismo sem prova.

Sobre o vídeo abaixo, do minuto 53 em diante (vale ver a palestra toda, eu não vi, mas vale para quem quer ver).

É exatamente isto! Há uns tempos atrás falávamos sobre isto… na Idade Média, a Religião ditava o que se podia dizer ou pensar. Hoje, a Ciência dita o que se pode dizer ou pensar. Acreditas em Deus? Tiveste uma experiência que os sentidos nao podem explicar? Uma menina disse umas palavras (de “Um Curso Em Milagres”) e viu o avô (que já morreu) a falar com ela? Nao pode, a Ciência não provou, é mentira. Cortem-lhe a cabeça, está louca, acabem com ela… Inquisição moral levada a cabo nas redes sociais, no trabalho, nas ruas… Isto não vos lembra nada? A mim lembra-me os livros da História Medieval, só que estamos a passar por ela novamente. Agora, a Religião é a Ciência que diz que quem encontrou caminhos diferentes, que a Ciência nao pode explicar, é mentiroso, está louco… Cortem-lhe a cabeça.

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Let’s sing a little prayer for You

Deus, eu venho aqui porque estou perdida. Não sei o que fazer. Foi-me pedido e eu aceitei, porque pedi isso, que desistisse do mundo, dos significados do mundo… e eu quero… mas eu não consigo descobrir, perceber o que o Espírito Santo quer… não consigo, Deus. Há aqui alguma vontade que me está a impedir… que eu estou a valorizar, que me impede. Peço-te, Deus… dá-me ser como Tu És, dá-me que a Tua Vontade seja feita, mesmo que eu não a compreenda aqui… não aguento mais este limbo. Aguento, mas não o quero… talvez precise de, de facto, não aguentar para saltar… só quando o degrau deixa de suster é que aceitamos passar para o próximo. Nada à minha volta tem significado, não posso acreditar em nada. Guia-me, Deus. Estou cega, surda-muda… não tenho nada a que me agarrar. Ajuda-me, Jesus, ajuda-me, Espírito Santo, a encontrar a saída, que é a entrada do Céu. Ajuda-me. O que é Verdade? O que me está a ser pedido para ser feito? O que deve ser feito, Poderoso Deus, querido Deus, amado Deus, amado Pai, dá-me a Tua Vontade; se importante, clarifica-me a Tua Vontade para que seja feita, se não é necessário, peço meramente que ela se efetive através de mim, que eu seja não um canal, mas algo merged, unido em Ti, na Tua Vontade, e A expresse. Não sei o que fazer. Guiem-me.  Vêm depois os momentos de loucura, riso e choro… sei que És Tu, Deus… Tu a Querer entrar, eu a desfazer-me para que Tu entres, entra logo Deus… não Te demores mais… Talvez seja eu que me demore, porque a minha chave ainda não é o molde da tua fechadura da porta… hoje, olhei para a chave e vi isso… por favor, torna a minha chave exatamente o molde da Tua entrada , Deus… como a chave da garagem… torna… desfaz-me em mil, ou desfaz os meus pedaços e dá-me a Unidade que me permite entrar em Ti, Deus… Dá-me… eu estou desfeita… não aguento mais estar assim… não sei estar no mundo assim.. não sei o que sou, o que faço… quem faço… não sei. Dá-me Ser que Tu és no mundo, ou ele perde completamente o significado e eu não sei viver aqui, sem Ti… o que faço?

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Gosto dos homens rudes e depois?

11/06

Às vezes, esta também sou eu, ou melhor, sou eu sempre, a de sempre, a que escreve em papéis desemaranhados, sem ordem, sem clave que os salve. A apostar que estes papéis vão parar (paro para observar a música e a jasmim… a música também se observa, quando um Nocturno de Chopin começa; a gente não sabe, nós não sabemos como o mundo é belo, como a vida é boa… como pode ser) vão para o lixo, antes mesmo de serem transcritos… egoísta? Egoísta é quem escreve para outros lerem… a não ser que escreva porque o que escreve irá ajudar os outros (mas ninguém pode começar a escrever para ajudar os outros, se o fizer, serve o útil, isso parte a arte em dois e a Arte é de Deus, não se pode partir… surge, porque tem de surgir… Deus não é útil. Deus é. Assim são as extensões Dele), será egoísta… separado por ego, desânimo inventado num papel que o salve. Não sou assim. Não quero ser. O que escrevo é meu, só meu, inviolável, inquebrantável. E sei que me contradigo… como posso querer ser escritora, se não quero partilhar?… não é isso. Ao papel reservo o poder e o direito de ser meu, meu e de Deus, antes mesmo de qualquer luz, conjetura de ribalta… Continue reading

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