Noite e Haute Couture

Da noite que simula o amor que lhes falha, do que eles próprios se falham… A noite que camufla, que simula a luz e as histórias, o teatro do batom acetinado. A noite que lhes dói os amores, as perdas e tudo o que queriam ser.

Das dores que afogam nos cocktails que lhes inventam a cor, que a vida deles não tem – ou que lhes parece não ter. Continue reading

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Do vazio e do voo

Precisamos de vazio.

Precisamos de parar de fazer coisas, de parar de pensar, de parar de saber, de parar de ter.

Acima de tudo, de saber não ter. Abrirmo-nos à eterna possibilidade do mundo, quando não temos. É no Nada que há espaço. É na ausência das coisas que o que tem de se revelar, se revela.

Ensinaram-nos o consumo… Mais do que o das roupas e das coisas, o mais criminoso dos consumos… Continue reading

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Das vezes em que te matei II

Hoje já não nos vamos ver, meu amor. Nunca mais. Eu sei. Eu sei que podíamos ter feito diferente. Mas não soubemos meu amor. Não soubemos fazer melhor, meu amor. Não agora. Quem sabe… quem sabe depois. Tu sabes que eu acredito em fadas, em deuses e coisas, meu amor. Tu sabes que eu acredito naquelas coisas todas estranhas que as pessoas não dizem. (…)

Mas eu tinha de ir, meu amor. Tinha de parar de fingir que não era desta. Porque tu sabes que é. (…) Continue reading

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Das vezes em que te matei

Desculpa, mas tive de te matar. A tudo o que te amo ainda. Tive de não de te dar mais aos meus olhos.

Porque, sem perceberes, sem que eu percebesse, demo-nos… abandonámo-nos a nós… em nós. Na poltrona dos dias… dos dias bons e dos dias maus. Mas, sobretudo, dos dias que já não somos. Nós já não somos.

Sem notar, sem querer ver, cedíamo-nos a quem não somos e às histórias que nos contamos… E é errado.  Continue reading

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No vestido verde ou no vestido sem costas

Sabias que tínhamos de ir. Que desonrávamos o tempo. O que tu gostas de chamar tempo sem tempo. Sempre foste um bocado louca e esotérica – na altura que te conheci, demasiado, demasiadamente louca para te perceber. Mas era isso que me chamava em ti, essa coisa de não te perceber, de não te saber e, sobretudo, de saber que nunca te iria ter. Que tu eras tua e que te partilhavas comigo. No dia em que quisesses ser minha, não eras tu… Tu, Grande, apesar do teu tamanho físico pequeno e dessas ancas que me levavam à loucura. Continue reading

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Título? Eu Sei lá!

Escrevo sem saber muito bem o que vou dizer. Escreve-se, porque se recupera a humanidade; recupera-se qualquer coisa que, no meio dos dias, parece que perdemos de nós. Não quero escrever para publicar. Não o posso fazer. Isso não é escrever. Não é o escrever que acalma, que sossega cá dentro, pelo menos. Quero escrever, porque preciso. Porque, cá dentro, me pedem. E eu respiro melhor depois. Mais ordenada. Mais de acordo. Pelos poros todos.

Têm sido dias de lágrimas aqui. Muitas lágrimas. Lágrimas, por coisas boas. Por me lembrar de quem sou. Por me fazer as vontades. Continue reading

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Carta à Mãe

Despedi-me, mãe.

Desculpa.

Eu sei que me ensinaste a aguentar. Que me ensinaste a ser dura, a ser uma mulher como tu, mãe. Eu sei.

Mas também me ensinaste a ser honesta, a não me vender… E hoje, hoje eu percebi que não posso dobrar a coluna, mãe. Doem-me as costas mãe. E dói-me o peito. A respirar. É como um ar que chora. Poluído, a sair.

Começou de manhã, mãe. Ou antes. Continue reading

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Deus encoberto em Eine Kleine Nachtmusik Movt 2

Hoje, dei por mim a pensar sobre a música. Como se a música fosse para pensar… Foi Mozart que me despertou e que me acorda agora. Para escrever coisas. Para o dizer, um bocadinho, por pouco que seja, temos de o escrever… A ele, a Bach, a Chopin e a tantos que ficarão por dizer.

Mas foi Mozart e Eine Kleine Nachtmusik Movt 2 que me despertaram de mim – porque nós despertamos de nós e dentro. Continue reading

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A velha e o Quasimodo

Hoje eu quero contar-vos a história de uma senhora no metro, doravante conhecida por velha, porque ela era velha, velha de idade e de sabedoria. Não quero com isto dar largas à criatividade e perder-me na criação literária. Não que a senhora não o mereça, mas porque o que diz é tanto que eu temo ofendê-la, se me aproveitar da história para florear a escrita. Se a tanto a objetividade me ajudar – creio que acabo o texto subjetiva, perdida e a florear. Continue reading

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Cabra-cega e angústia. Mas do Rio não.

Hoje acordei com uma dor no peito, com o peito apertado, pequenino a respirar… e tive muita vontade de chorar… chorar não sei de quê, o quê, porquê… chorar para me sair qualquer coisa, que já não é meu (como se alguma coisa fosse nossa), que já não faz nada aqui… Mas continuo sem saber o que é. O melhor, porém, é chorar. Deitar tudo fora. Desprender. Continue reading

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