Do Corpo paralelepipédico e do sexo nas Pick Up

Hoje, eu estava a folhear uma revista dessas novas, ou velhas, sem ponta de humanidade por que se lhe pegue e, por isso, os humanos gostam… gostam, porque gostam de tudo o que os desumaniza, de tudo o que os faz esquecerem-se de quem são, de tudo o que os pinta de uma maneira diferente da que são… de tudo o que os simula, os cola a chumbo colorido de dor e de braços desenhados a barro… gostam, porque os humanos não gostam de quem são… e, por isso, porque para além de não saberem quem são, não são quem são – como podem gostar de quem são e sê-lo, se não sabem quem são, se têm medo de serem quem são? E isso nota-se muito bem no corpo…

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Carta de Dor de Uma Menina de 14 Anos

Márcia Augusto

 Este texto não está publicado integralmente, nem poderia… um dia, talvez, ele veja a luz das livrarias num livro… por enquanto, ele é meu. Mas porque eu já não sei ser só minha e porque também publicar me cura, fica aqui um excerto muito breve de um total de 3103 palavras.  E começa assim:

Não sei ser livre… sou demasiado cuidadosa, demasiado preocupada com a opinião dos outros para ser livre… estou demasiado ocupada com aquilo que os outros vão pensar sobre mim… e magoo-me. Sujo-me na terra onde nem sequer me permiti rebolar-me. Continue reading

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Dá-me azulejos e rosas, meu amor

Sento-me aqui… nesta janela inventada, num Porto que não me incomoda, que não faz barulho…

Tenho cuidado…  e escolho criteriosamente o lugar que vai albergar esta cerveja e o meu caderno. Sou quase íntima do Porto, ainda que cidade emprestada aos turistas… é difícil encontrar uma esplanada que não me lembre de casa… que me afaste o suficiente de lá, de casa, aqui… agora.

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Cartas de Amor a J. V

Márcia Augusto

Sei que me temes a treva. Sei que corro o risco de nunca mais saber de ti a partir de hoje.

Também sei que te disse coisas duras…Coisas, algumas, que, provavelmente, não são verdade e foram o fel a falar, o fel que tu me provocas.

Porque eu não te sei amar, não sei isto de ficar vulnerável com alguém. Não sei isto de poder sofrer as texturas, a tua pele rugosa na minha a ser. Tenho medo de te amar. Continue reading

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Em tudo eu entrei para falhar

Em tudo eu entrei para falhar… nos empregos, no amor… tudo tinha um fim certo.

Escrever foi ou é a única coisa em que eu nunca achei que pudesse falhar (porque na escrita não se falha… na escrita faz-se o que tem de ser feito, aceita-se a criação como ela vem)… que pudesse acabar… com ou sem apoios (?), barulhos ou golpes de asa… eu haveria de escrever sempre, porque isso é a minha (?), a minha banda sonora de filme, a minha hollywood inventada… a minha brincadeira preferida de infância…

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Manifesto da gratidão dos amantes

Por todas as vezes em que enfrentaste a vci de manhã e me olhaste com verde nos olhos.

Por todas as vezes em que te demoraste no beijo e enfrentaste as buzinas e tudo o que é insentato às nove da manhã.

Por todas as vezes em que recuaste 10 anos comigo, para me devolveres à memória de tudo, de que tudo está bem e no lugar que tem de estar. Continue reading

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Sobre me ser

Tenho sempre um apelo natural pela água… vejo água e os meus olhos querem entrar. O meu corpo todo quer entrar, porque os olhos não chegam para ver tanto… para ser tanto como eu sou, quando vejo água.

E o sol é como constelações desenhadas, numa impressão celeste, quase real.. estrelas a ditar a valsa dos meus olhos, prontas a impressionar-me, impacientes para serem notadas… como se precisassem. Continue reading

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